por Carlos Heitor Cony Folha de São Paulo
O sentimento é geral: estamos vivendo um dos momentos mais vergonhosos
de nossa vida republicana. A presidente Dilma e o PT em massa estão
falando em golpe. Já tivemos vários e dramáticos golpes na nossa
história, basta lembrar a Proclamação da República, a Revolução de 30, a
queda da ditadura Vargas e, o mais trágico de todos, o golpe militar de
1964.
Dessa vez não se pode falar em golpe. Tudo de mau que está acontecendo
foi previsto e punido pela Constituição, que até agora ninguém teve a
audácia de rasgar.
Por mais que sejam abomináveis os atos dos principais personagens
(Dilma, Eduardo Cunha e seus respectivos seguidores), o fato é que não
temos nenhum líder de peso para dar um rumo ilegal à situação que
estamos atravessando. Somos, como disse Osvaldo Aranha, "um deserto de
homens e ideias". Nosso único e indiscutível craque é mesmo Neymar, que
está na Espanha.
Em 1964, havia líderes militares que atuavam para destroçar a
Constituição e instaurar uma ditadura feroz. Felizmente, pelo menos até
agora, não surgiram personagens como Castelo Branco, Costa e Silva,
Geisel, Osvino, Golbery, Mourão Filho, Médici e outros que violentaram a
lei e as instituições.
A França, pelo menos retoricamente, criou o mito do grande mudo. Seria
uma referência à força dos militares. Nem sempre essas forças foram
mudas na história da França. E muito menos no Brasil. Contudo, no
lamentável momento em que a classe política está bagunçando a vida
nacional com a corrupção, a inflação, o retrocesso da economia e a
vergonha no conceito internacional, ainda não apareceu um candidato
militar que iniciasse nova e desgraçada ditadura. Com toda a miséria da
atual situação, devemos torcer para que o grande mudo continue mudo e
não tente piorar as coisas.
extraídaderota2014blogspot





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