O Brasil precisa decidir se quer seguir por mais três anos na rota temerária de desmantelamento do Estado ou tomar o caminho da reconstrução
Por Carlos José Marques, diretor editorial - revista istoé
Com o processo de impeachment o Brasil ganhou uma nova chance de
rever o seu destino. A essa altura do campeonato a questão essencial é
saber se o País quer seguir na atual rota temerária de desmantelamento
do Estado e persistir por três arrastados anos na crise ou tomar o
caminho da reconstrução. A encruzilhada está posta. ... O que Dilma e
seu governo têm a oferecer, não pairam dúvidas, é mais do mesmo: uma
incapacidade administrativa notória, a ausência de ideias sobre o que
fazer ou qual estratégia adotar e a mais absoluta falta de sustentação
política e econômica para empreender as reformas necessárias. Não há
qualquer crédito de confiança na presidente. Ninguém a vê em condições
de evitar o desastre em curso - que ela mesma criou e conduziu, diga-se
de passagem! Sobre os crimes de responsabilidade, existiram de fato. A
decisão é política, mas o delito está previsto na lei que regula o
processo de destituição da mandatária, sem lorotas sobre golpe, com os
ritos descritos na Constituição. Em cada uma das suas nuances as
pedaladas fiscais serviram para esconder, à revelia da lei e
deliberadamente por opção presidencial, o rombo descontrolado nas contas
públicas. A gastança, os desvios em profusão, os controles artificiais
de preços como combustíveis e energia elétrica com fins eleitoreiros
levaram a um desequilíbrio irresponsável e criminoso que desenha a era
petista como uma das mais nefastas de todos os tempos para a saúde da
República. Regredimos décadas para viver, novamente, o estigma de uma
nação quebrada, com inflação nas alturas, desemprego em massa e
sucateamento industrial. Não há avanço social nesse contexto. Ao menos
três milhões de empregos estão sendo extintos. Estatais de ouro como
Petrobras e Correios ficaram à míngua. O cofre do BNDES foi usado para
atender a empréstimos políticos duvidosos. Sem contar a corrupção
endêmica que tomou conta da máquina. Uma catástrofe generalizada!
Apadrinhados e filiados do PT, tal qual quadrilheiros, saquearam bilhões
de reais enquanto os investimentos em saúde, educação e infraestrutura
eram postos de lado. A desgraça nesse aspecto espreita a cada esquina. A
epidemia do Zika vírus que avança sobre o País no verão e o mar de lama
tóxica a destruir cidades são apenas algumas das consequências do
descaso. Alega Dilma que o Brasil não pode parar para discutir sua
saída, mas parado ele está, e até regrediu, nos últimos tempos por sua
inapetência. A presidente só tem olhos e atenções para a salvação de seu
mandato. Nada anda além disso! Não delibera medidas essenciais, não
governa, nem oferece soluções. Usa de todos os recursos e artifícios
para prolongar as reinações no Planalto. De maneira geral, poucas vezes
um projeto de poder partidário provocou tamanho estrago, estruturado na
base da mentira e aproveitamento dos anseios sociais. Líderes petistas
esculhambaram com a noção de ética e moral. Feriram a hombridade e
autoestima do povo brasileiro. Abusaram de argumentos diversionistas. O
mentor Lula, por exemplo, insiste em dizer que “estão querendo tirar o
pobre do poder”. Sua singular habilidade para distorcer fatos não
consegue esconder o óbvio: petistas, cada dia mais abonados, com milhões
de reais nas contas – Lula, inclusive, que arrecadou cerca de R$ 27
milhões em palestras, segundo informa o Instituto que criou, e até o
“chefe da quadrilha”, José Dirceu –, estão longe do figurino de
desassistidos. Não querem perder a boquinha e aparelharam o Estado com
esse intuito. Para angariar simpatizantes à causa vão enganando muitos
aqui e ali com promessas que não cumprem e lançando juras falsas de
amor. O vice-presidente Michel Temer, que colocou o dedo na ferida ao
expor em carta sua insatisfação, dignamente não se deixou levar pelas
embromações. Quando ouviu de Dilma que ela não desconfiava “nem por um
milímetro” dele, retrucou: “Não! A senhora não confia em mim e nem no
PMDB”. Dilma decerto havia mais uma vez tentado pregar uma de suas
mentiras. Como faz usualmente. Iludiu eleitores na campanha ao pintar um
cenário maravilhoso que não existia. Negou aumento de juros, de
impostos, de preços, tudo que viria a adotar depois. Mentiu, fez “o
diabo”. Foi desonesta com a oposição e age desonestamente ao montar com
auxiliares versões para situações que nunca aconteceram – como a de
falar que Temer se apresentou para deter o processo de impeachment. É um
mal crônico e disseminado no âmbito petista. Dilma, Lula & Cia
mentem de acordo com as suas conveniências. E, por essas e outras, suas
reputações seguem ladeira abaixo. Como acreditar numa mandatária com tal
postura? E o que dizer de seus estafetas do Congresso a tentar evitar o
andamento do processo de impeachment quebrando as máquinas de votação? A
tropa do atraso está em campo para barrar na marra o desejo da maioria.
E é neste momento que a voz da rua fará a diferença. Do contrário, sem
ela, corre-se o risco de um mergulho profundo no retrocesso. O momento é
de decisão porque os brasileiros não merecem seguir em um pesadelo
indefinidamente. Com um grande pacto de novos líderes para viabilizar
reformas estruturais é possível, afinal, vislumbrar alguma luz no fim do
túnel.
extraidadoblogdosombra
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