MIRANDA SÁ
“A terra é de tal maneira graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo” (Pero Vaz de Caminha)
Como
a gente teve conhecimento no começo do aprendizado escolar, a primeira
carta que entrou na nossa História foi escrita por Pero Vaz de Caminha,
escrivão da frota de Pedro Álvares Cabral, que oficializou a descoberta
do Brasil.
A
descrição do nosso país nos envaidece pelos louvores, como trouxemos na
epígrafe; Caminha fala das águas, da abundância de animais, frutos,
raízes e a fecundidade dos campos; realça a inocência dos indígenas que
“nem fazem caso de encobrir ou deixa de encobrir suas vergonhas do que
de mostrar a cara”.
O
documento registra também a origem do nepotismo da politicalha
brasileira, com o missivista apelando para o rei D. Manuel a libertação
do seu genro, preso por assalto e agressão… Um aloprado da época.
A
outra carta que se faz presente na História do Brasil é o testamento
político de Getúlio Vargas, trazendo um balanço do seu enfrentamento com
o capital estrangeiro e combate às fraudes no comércio exterior.
Vargas
assinalou as agressões pessoais que sofreu, e se projeta para o futuro,
como uma maldição, estimulando o povo brasileiro a lutar contra a
corrupção e os coveiros da economia nacional: “Quando a fome bater à
vossa porta sentireis em vosso peito a energia para a luta por vós e
vossos filhos”.
Alentando
os que enfrentam o autoritarismo medíocre da presidente da República, e
seus desmandos na economia do País, chega-nos agora, uma carta do
vice-presidente Michel Temer dirigida a ela, realçando sua soberba
incompetência e amoralismo político.
A
epístola teve cunho particular, mas foi publicada em todos os jornais
do dia seguinte; desconfia-se que chegou à imprensa por uma tramóia
palaciana, que age costumeiramente dessa forma.
Temer
se refere à divulgação de uma reunião dele com Dilma que “foi
divulgada, e de maneira inverídica, sem nenhuma conexão com o teor da
conversa”. Trata-se de mais um desmentido à Presidente, cuja compulsão
pela falsidade é doentia.
Segundo
o presidente do PMDB, “fatos reveladores” mostram a desconfiança que a
governante sempre demonstrou nele e no PMDB; Temer enumerou um a um dos
episódios que comprovam situações em que, pelo cargo que ocupa, foi
rifado por Dilma.
O
escanteio mais importante é recente. Dilma ignorou-o como presidente do
PMDB chamando o líder do partido na Câmara, o deputado Picciani e seu
pai, para um acordo.
Dando
uma lição de Democracia à antiga lutadora por um regime stalinista,
Temer faz uma profissão de fé liberal, escrevendo: “Democrata que sou,
converso, sim, senhora Presidente, com a oposição. Sempre o fiz, pelos
24 anos que passei no Parlamento”.
E
mostrando sua capacidade de articulação e apoio às medidas econômicas
urgentes para o País pré-falimentar graças à incompetência petista,
Temer lembra que ajudou a aprovação da primeira medida provisória do
ajuste, conquistada por ele com oito votos do DEM, seis do PSB e três do
PV.
A
carta revela que o programa peemedebista “Uma Ponte para o Futuro”,
aplaudido pela sociedade, foi tido por Dilma como uma manobra desleal e,
a partir daí, se multiplicaram as manobras do Planalto para dividir o
partido.
A
Carta de Temer está à altura da de Pero Vaz de Caminha pelas revelações
contidas, e à de Getúlio Vargas, pelas denúncias a um governo que
falseia o monopólio das conquistas sociais dos trabalhadores. O maior
valor do documento, porém, é ampliar e consolidar a frente nacional pelo
impeachment.
EXTRAÍDADETRIBUNADAIMPRENSA





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