BERNARDO MELLO FRANCO FOLHA DE SP
A Polícia Federal e o
Ministério Público começaram a abrir a caixa-preta dos fundos de pensão.
Os investigadores terão muito trabalho pela frente. Pelas estimativas
iniciais, o rombo deixado pelo esquema pode alcançar os R$ 50 bilhões.
O
dinheiro pertencia a servidores de estatais como Petrobras e Correios.
Por anos a fio, eles fizeram depósitos para garantir uma aposentadoria
tranquila. Agora descobrem que as economias foram torradas em negócios
"temerários" ou "fraudulentos", segundo os investigadores.
À
primeira vista, a Operação Greenfield ameaça rivalizar com a Lava Jato.
Na estreia, bloqueou R$ 8 bilhões e listou 78 investigados. Alguns
personagens do petrolão ressurgem no novo escândalo, como o empreiteiro
Léo Pinheiro, da OAS, e o ex-tesoureiro petista João Vaccari.
Entre
as 38 empresas sob suspeita aparecem grandes bancos e a holding da JBS,
a maior financiadora de campanhas políticas em 2014. Até quatro meses
atrás, seu conselho de administração era presidido pelo doutor Henrique
Meirelles. Nesta terça, o ministro evitou comentar a operação e disse
que "ainda vai se informar do que está acontecendo".
Quem buscou
se informar nos últimos anos sabe que os fundos sofreram forte
interferência política nos governos petistas. O PT dominava a Petros
(Petrobras) e a Funcef (Caixa Econômica Federal), e o PMDB dava as
cartas no Postalis (Correios).
O primeiro relatório da operação
descreve a existência de um "núcleo político" que atuava "de forma mais
obscura e, em geral, sem deixar muitos rastros". Quando seus
protagonistas forem identificados oficialmente, o caso deverá subir ao
Supremo Tribunal Federal.
"Investigação é fio de novelo, vai
puxando e vamos ver o que vem", disse nesta terça (6) o procurador
Rodrigo Janot. Quando este novelo for puxado, teremos uma situação
curiosa: separados pelo impeachment, políticos do PT e do PMDB devem se
reencontrar no banco dos réus.
extraídadeavarandablogspot




0 comments:
Postar um comentário