VINICIUS TORRES FREIRE FOLHA DE SP
Os reajustes dos
servidores federais vão custar uns R$ 62,7 bilhões para o governo nos
anos de 2016, 2017 e 2018. Nessa conta, passa também o aumento dos
ministros do Supremo Tribunal Federal —e seus impactos—, já aprovado na
Câmara, mas não no Senado.
É muito? Em relação ao quê? A esta
altura, o governo federal investe "em obras" R$ 48,3 bilhões por ano
(despesas reais do PAC nos últimos 12 meses).
É um dinheiro
considerável, em especial porque não existe. Os recursos sairão de
outras despesas (dos investimentos?) ou virá mais dívida pública, que
cresce sem limite.
No entanto, não é possível deixar o funcionalismo sem reajuste, sem mais.
Na
exposição de motivos do Ministério do Planejamento, a despesa federal
com os servidores não tem crescido muito: 0,8% ao ano além da inflação
(ou seja, em termos reais) desde 2009. Nos Estados, essas despesas,
ainda segundo o governo federal, cresceram 4,7% ao ano. Uma disparidade
enorme, um fator da falência de muitos Estados.
Note-se de
passagem que a variação da despesa não diz necessariamente nada sobre a
variação dos salários dos servidores (pode ter havido variação do número
total de servidores e dos salários de quem entrou e saiu, por exemplo).
Segundo
o governo, os servidores dos Três Poderes federais receberam em média
reajustes de 18% entre dezembro de 2010 e dezembro de 2015, ante uma
inflação de 40,6%. No período, os trabalhadores da iniciativa privada
tiveram reajustes de 49,2%, diz o governo com base no Dieese.
É
possível. É possível pensar também a evolução dos rendimentos de outro
modo. As estatísticas de rendimentos do trabalho de série mais comprida
eram as da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), do IBGE, encerradas em
fevereiro de 2016. Referiam-se apenas às seis maiores metrópoles do
país, mas eram bastante representativas.
De 2011 a 2015, o
rendimento médio dos empregados do setor privado subiu 4%, para R$ 2.019
(muita gente pode ter tido reajustes maiores, mas, na vida real média, o
salário subiu apenas 4%).
De 2011 a 2015, a despesa média do
governo com servidor da ativa subiu 6,7%, para R$ 9.290 mensais (nas
contas deste jornalista). Outra vez, pode haver muita gente que não teve
reajuste. Ressalte-se, o "salário" médio pode ter subido porque mais
gente entrou no serviço público ganhando mais, entre outras hipóteses
apenas aritméticas.
De 2005, começo dos anos dourados lulianos,
até 2016, em plena ruína dilmiana, o rendimento médio dos empregados do
setor privado subiu 20,9% acima da inflação, segundo contas feitas com
dados da PME. No setor público, o rendimento médio subiu 33,9%, na mesma
pesquisa (a informação abrange salários de servidores federais,
estaduais ou municipais).
É possível que mais servidores
qualificados tenham sido contratados, difícil dizer agora. Mas a despesa
média com servidor tem crescido, além da variação dos salários no setor
privado.
Enfim, não é possível discutir reajustes, mais ou menos
merecidos, sem repensar o conjunto da despesa, a estrutura das
carreiras, a eficiência do trabalho e as aberrações previdenciárias do
setor público, ainda mais neste momento de ruína do Estado, desemprego e
quedas dos salários reais.
extraídadeavarandablogspot




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