GAZETA DO POVO - PR
Não há sombra de dúvida
de que a decretação do impeachment da presidente Dilma Rousseff é fato
já inscrito como uma das páginas mais importantes da história
brasileira. Esta página não pode ser lida, agora ou no futuro, como se
ela representasse o ponto final de um período. Não pode ser vista apenas
como um capítulo que não guarde relação de continuidade com o seguinte
ou com as páginas seguintes – pelo contrário, o afastamento definitivo
de Dilma deve servir como lição sobre como não devem se comportar todos
os governantes que vierem a ocupar não apenas a chefia suprema da
República, mas também o comando dos estados e dos municípios.
Há
fatos muito objetivos que conduziram ao desfecho traumático do
impeachment: a presidente não obedeceu a Constituição – embora tenha
jurado, em suas duas posses consecutivas, defendê-la rigidamente. Fez o
que a Constituição lhe proibia fazer, ponto final. Foi processada e
levada a julgamento por esta única razão, de caráter absolutamente
jurídico, reconhecido pelos tribunais e sob rito que seguiu
rigorosamente os ditames legais.
Esta é a lição que precisa ser
aprendida por presidentes, governadores e prefeitos. Para sempre, devem
saber que não podem tratar o orçamento e a situação das contas públicas
como peça de ficção, sujeitando-os, portanto, a destino igual ao que
interrompeu precocemente o mandato conferido a Dilma Rousseff, ainda que
pela expressiva soma de 54 milhões de votos. Assim como foi democrática
a sua eleição, democrática também foi a decisão de tirá-la do poder,
pois assim prevê a Carta Magna em casos que configurem a desobediência
aos seus preceitos fundamentais.
Inspirada pelos métodos
lulopestistas, Dilma sucumbiu ao falseamento de realidades que já
comprometiam a saúde econômica e social do país com o único fim de se
reeleger em 2014 e de manter o projeto de poder do seu grupo político –
projeto, aliás, também mantido pelos mais escandalosos esquemas de
corrupção de que se tem notícia na história. A bonança que propagava na
campanha até às vésperas da eleição não condizia com os sinais evidentes
da deterioração das contas públicas, e muito menos com as promessas de
futuro brilhante que prometia aos brasileiros. O choque de realidade
emergiu logo em seguida ao pleito, quando foi obrigada a tomar
tardiamente medidas que, se preventivamente utilizadas, não teriam
provocado o estrago que se escancarou: aprofundamento da recessão,
inflação em alta, desemprego maciço, perda de renda da população, cortes
de investimentos em infraestrutura e em serviços e programas sociais
essenciais, dentre os quais a educação da “Pátria Educadora”.
Logo,
meditar sobre os crimes de responsabilidade de Dilma, de tal modo que
não se repitam a irresponsabilidade administrativa e a imoralidade
sistemática, deve ser obrigação de tantos quantos recebam, a partir de
agora, delegação popular para bem gerir a coisa pública.
Ser a
primeira mulher a governar o país, ter sido vítima da ditadura, ter
recebido dezenas de milhões de votos – nada disso deve representar
habeas corpus preventivo para o cometimento de infrações claramente
prejudiciais à nação, especialmente no que diz respeito ao orçamento e
às contas públicas. Postulantes que hoje fazem campanha para elegerem-se
vereadores ou prefeitos no próximo mês de outubro precisam levar em
conta os acontecimentos que o país viveu nos últimos meses e que
culminaram com o remédio extremo, mas necessário, do impeachment.
extraídadeavarandablogspot




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