À sua
maneira deliciosamente alienada, desligada de qualquer realidade
comprovável e sem o menor compromisso com os fatos, Dilma Rousseff,
tendo agora 24 horas diárias de ócio ao seu dispor, começou a trabalhar
na última preocupação que lhe resta: o julgamento da história. Ela quer
ficar bem na fita diante dos pósteros. Assim, com a mesma desenvoltura
com que compunha seus discursos patafísicos na Presidência, imagina
poder sepultar no Senado as acusações que lhe fazem.
Ao insistir
em que é uma mulher honesta e não fez nada de errado, Dilma continua sem
entender que não é a cidadã que está em julgamento, mas a presidente.
Isso denota a maneira airosa com que exerceu o cargo e explica por que,
sem que ela soubesse -vamos dar-lhe este crédito- armou-se sob o seu
nariz uma abismal rede de corrupção. Daí é bom ela não contar com a
posteridade. Se ficar provada sua inocência, o futuro a verá como o caso
mais agudo de palermice na história da República.
Mas não
adianta. O mundo está desabando ao seu redor e Dilma trata as acusações
como se estas fossem um surto de caspa que uma ou duas espanadas
tirariam de seus ombros. Para isto, basta jogar a culpa nos outros -no
caso, o PT. É encantadora a naturalidade com que ela tem transferido aos
companheiros a responsabilidade pelo festival de propinas, caixa dois e
pagamentos indevidos em suas campanhas presidenciais. Passou até a
dizer que o PT precisa reconhecer "os erros que cometeu do ponto de
vista das práticas, da ética, do uso de verbas públicas".
Apanhado
no contrapé, o PT está tiririca e temos que, em breve, Dilma se verá
falando sozinha. Se ela e o partido já se detestavam quando no poder,
imagine fora dele.
O PT continuará com o discurso básico de "Fora Temer". Mas já não se ouve de ninguém um "Fica Dilma".
sexta-feira, 12 de agosto de 2016
Fica o "fora", cai o "fica" -
extraídadeavarandablogspot
RUY CASTRO FOLHA DE SP




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