editorial da IstoE Carlos José Marques - IstoE

O
ex-presidente Lula encontra-se ao pé do patíbulo da Justiça como réu.
Obstruir a “Lava-Jato” teria sido o menor de seus delitos. Investigado,
com provas, testemunhos e evidências de benefícios ilegais, frutos de
corrupção, o líder petista é ainda acusado pelo Ministério Público
Federal de “participar ativamente do esquema criminoso na Petrobras”.
Sem meias palavras, sem subterfúgios ou tergiversações, ele foi colocado
diretamente no centro da gatunagem que lesou o País como nunca antes na
história. Quatro procuradores da República subscreveram o relatório em
70 páginas, pontuando em detalhes o seu envolvimento e a maneira como
ele se locupletou da “estrutura delituosa”. Lula, pelo que dizem os
agentes da lei, não apenas tinha ciência do que acontecia ali. Indicou
membros da quadrilha. Loteou cargos. Incentivou o caixa dois. Deu margem
às fraudes e levou vantagens. Figuras centrais do Petrolão, segundo
registra o documento, orbitavam em torno dele e do Partido dos
Trabalhadores. E mesmo após o término do seu mandato presidencial elas
continuaram a lhe abastecer, direta ou indiretamente, com repasses
financeiros. No todo e em cada capítulo, o libelo dos procuradores é uma
peça acusatória definitiva sobre a qual não pesam dúvidas de
interpretação quanto ao seu objetivo e teor. Diante da substancial
denúncia será difícil para o chefão petista recorrer à surrada alegação
de que nada sabia. À época do Mensalão funcionou. Dessa vez, não. Aos
olhos de seus inquisidores, ele está longe de ser a “viva alma mais
honesta do Brasil”, como declamou aos quatro ventos inúmeras vezes. Ao
contrário: encontra-se mais encalacrado do que seus asseclas. Um revés e
tanto na imagem de impoluto representante das massas. Lula prevaricou e
deixou prevaricar em quase uma década de poder – e manteve a prática
por anos adiante, contando na soma os mandatos da pupila e seguidora
Dilma. Para quem no passado, tal qual um paladino da moralidade, já
insinuou que o Congresso tinha ao menos 300 picaretas, ele agora
desponta no mesmo clube, no abre-alas, como a mergulhar numa sina
inescapável. Em várias frentes o clã lulopetista vê chegar a hora da
verdade. Sua mulher, Marisa Letícia, e o filho, Fábio Luis Lula da
Silva, foram intimados dias atrás a prestar esclarecimentos na polícia.
Dona Marisa por conta do sítio em Atibaia e da milionária reforma que,
só na cozinha “gourmet”, consumiu R$ 252 mil, bancados generosamente
pela alma caridosa do titular da empreiteira OAS, Léo Pinheiro. O
herdeiro, Lulinha, por sua vez, foi chamado a explicar a incrível
evolução patrimonial que obteve e a relação com os seus sócios em
negócios duvidosos. O capo Lula terá também de driblar as alegações do
procurador-geral Rodrigo Janot, para quem não há nada de irregular nas
intercepções telefônicas de suas conversas que (defende ele) deveriam
ser validadas como prova de ilícitos. Sem ter para onde fugir, o
ex-presidente apela à tática da vitimização e tenta empurrar a briga
para o terreno político. Se diz perseguido e fez a patacoada de pedir a
intervenção da ONU no seu julgamento. Curiosamente Lula mirou Sergio
Moro, da primeira instância, como algoz e inimigo número um. Está
desesperado para sair de suas garras. Contra ele é que a banca petista
de 20 advogados está reclamando no comitê de direitos humanos das Nações
Unidas. Lula desconsiderou apelações a instâncias superiores internas,
ignorou processos contra ele de diversas outras varas de justiça fora da
alçada de Moro e partiu para um tribunal internacional na tentativa
insana de esculachar a democracia brasileira. Transformar em chicana a
apuração de seus malfeitos não diminui a gravidade dos erros cometidos. E
diante do mar das irregularidades já levantadas, o que muitos se
perguntam – e rogam a apresentação de uma pronta resposta, em favor do
primado da ordem constitucional – é o que está faltando para que o
chefão Lula vá parar atrás das grades e tenha uma condenação reparatória
expedida? Com a palavra os juízes.
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