O
controle psicológico, por meio da educação, da mídia, da gestão de
empresas e do controle social, conduz a uma sociedade igualmente
totalitária, na qual os modos primitivos de controle foram substituídos
por técnicas não aversivas.
Em
seu hit Billie Jean, Michael Jackson canta “Be careful of what you do
‘cause the lie becomes the truth” (Cuidado com o que você faz, porque a
mentira vira verdade). Ou, como se dizia antigamente, “quem não vive conforme pensa, acaba pensando conforme vive”.
Boas
frases para definir a “dissonância cognitiva”, técnica de manipulação
psicológica em que, por exemplo, o manipulador constrange você, num
contexto de liberdade relativa, a agir contra os seus princípios, o que
faz com que você modifique os seus valores para diminuir a tensão que o
oprime.
Esta
e diversas outras formas de engenharia comportamental – friamente
concebidas e cruelmente aplicadas, destinadas à lavagem cerebral – são
descritas por Pascal Bernardin no livro Maquiavel Pedagogo, importante lançamento das editoras Vide Editorial e Ecclesiae,
obra imprescindível para quem quer entender por que o sistema
educacional mundial (com raríssimas exceções) não tem mais o objetivo de
ensinar (o ensino, agora, deve ser “não cognitivo”), mas de servir de
instrumento de uma revolução cultural e ética cujo propósito é mudar os
valores e criar o cidadãozinho bem-comportado da Nova Ordem Mundial
(leia-se ditadura global).
Amplamente
documentado, o livro mostra como UNESCO, Conselho da Europa, Comissão
de Bruxelas e OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento
Econômico) promovem uma revolução pedagógica visando criar uma nova
sociedade, numa sofisticada reapresentação da utopia comunista (não
devemos nunca nos esquecer do aviso de Fátima: “a Rússia espalhará os
seus erros pelo mundo”). A partir de uma mudança de valores, da
manipulação da cultura e da modificação das atitudes e dos
comportamentos pretende-se fazer a revolução psicológica e,
ulteriormente, a revolução social.
Para
atingir este objetivo são usados os resultados de pesquisas pedagógicas
obtidos pelos soviéticos e pelos criptocomunistas norte-americanos e
europeus. São utilizados métodos ativos para inculcar, nos estudantes
(e, de modo mais geral, em toda a sociedade), valores, atitudes e
comportamentos definidos de antemão. Os traços mais relevantes dessa
revolução pedagógica são: testes psicológicos (em grande escala),
subordinação do ensino livre, anulação da influência da família e
informatização mundial das questões do ensino e o censo de toda a
população escolar e universitária.
Assim
deve ser, segundo tais planejadores, a educação futura: para a massa, o
ensino não cognitivo, pura doutrinação esvaziada de toda substância
intelectual; para a elite, uma verdadeira formação intelectual
necessária ao trabalho mental (não isenta da doutrinação
comuno-globalista). Tudo isso visando criar a sociedade dual, em que só
existirão duas classes: dirigentes e dirigidos, elite e povo, senhores e
escravos.
É
este o objetivo do livro: demonstrar que não existe qualquer
contradição entre democracia aparente e socialismo (ante-sala do
comunismo, segundo Olavo de Carvalho). O socialismo não é um sistema
econômico, mas um sistema social, que pode acomodar-se ao capitalismo,
para dele se livrar, se necessário, quando a revolução psicológica tiver
sido concluída. O controle psicológico, por meio da educação, da mídia,
da gestão de empresas e do controle social, conduz a uma sociedade
igualmente totalitária, na qual os modos primitivos de controle foram
substituídos por técnicas não aversivas, das quais o povo não tem
conhecimento. Manipulado, ele não percebe que o seu comportamento é
controlado, de modo diverso, com mais eficácia do que num sistema
totalitário, no qual a sua revolta latente haveria de lhe garantir a sua
última proteção psicológica.
Não
se deixe manipular – leia urgentemente este livro. (Que, a bem da
verdade, devia ter chegado antes, pois o original é de 1995. Mas, antes
tarde do que nunca. Parabéns à Vide Editorial e à editora Ecclesiae.)
E, acima de tudo, viva conforme pensa, senão... (Be careful of what you do, otherwise...).





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