Oscar de efeitos especiais vai para o PT
Por Guilherme Fiúza - Revista Época -
Abraham
Lincoln e Luiz Inácio da Silva não são a mesma pessoa, mas quase. Na
festa de 30 anos da CUT, o filho do Brasil e pai da maior máquina de
perpetuação no poder já vista neste país voltou a se queixar em grande
estilo, como é próprio das vítimas profissionais. Declarou que ele e o
companheiro Lincoln são uns injustiçados: “Fiquei impressionado como a
imprensa batia no Lincoln em 1860. Igualzinho bate em mim.”
As
semelhanças não param por aí: Lincoln não ganhou o Oscar, Lula também
não. Mais uma armadilha do sistema capitalista contra os heróis do povo.
Como um sujeito que sai limpinho do mensalão, convencendo mais de 100
milhões de pessoas de que não sabia de nada, pode não ser premiado com o
Oscar? É muita injustiça social mesmo. Só pode ser preconceito das
elites contra o ex-operário.
Lincoln e Lula, os irmãos siameses da resistência
contra a imprensa burguesa, passarão juntos à história da CUT apesar do
boicote de Hollywood. Mas que os americanos não se animem muito com essa
dobradinha. Mesmo com as incríveis semelhanças entre os dois
estadistas, Lula é melhor. Lincoln jamais seria capaz de eleger uma
Dilma, e depois de um governo inoperante, preguiçoso, fisiológico,
perdulário, destruidor das instituições com tarifas mentirosas e
contabilidade idem, se encaminhasse para reelegê-la. Com todo respeito à
mitologia yankee e ao talento de Spielberg, uma façanha dessas não cabe
na biografia de Lincoln. Como transformar uma militante inexpressiva em
símbolo feminino nacional, sem que ela manifeste um único pensamento
original em anos de vida pública? Lincoln teria que nascer de novo duas
vezes para aprender essa com Lula.
Enquanto o
líder máximo de todos os tempos das Américas demonizava a imprensa,
ensinando a classe operária a suspeitar da informação livre, odiar o
contraditório e só confiar no que o seu guru diz, notava-se ao lado os
sorrisos divertidos de Gilberto Carvalho, o chefe de gabinete vitalício
do Brasil. Carvalho é uma espécie de entroncamento entre Lula e Dilma,
um avalista da continuação do final feliz petista no berço esplêndido do
Estado brasileiro. Como se sabe, para que esse final feliz dure
bastante, é necessário que o conto de fadas do oprimido prevaleça sobre a
vida real – daí a implicância sistemática com a imprensa.
Ministro
da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho está sempre nos
fóruns partidários prometendo à militância que o governo vai criar uma
imprensa nova, confiável. Parece piada chavista, mas é verdade. Por
acaso, foi um subalterno de Carvalho que voltou de Cuba com um dossiê
contra a blogueira Yoáni Sanchez, caprichosamente gravado num CD. É o
velho estilo petista de conspirar com o rabo de fora.
Na
chegada da blogueira cubana ao Brasil, surgiram subitamente patrulhas
organizadas de apoio ao regime de Fidel Castro, um movimento que ninguém
imaginava que existia, que nunca mostrara sua cara em lugar nenhum. De
repente, num Brasil supostamente democrático e tolerante às diferenças
ideológicas, esses grupos surgidos do nada simplesmente impediram os
debates públicos com Yoáni – no grito, na marra. Quem será que
instrumentalizou essa turminha braba?
A
inacreditável operação-abafa contra uma blogueira, nesse espetáculo
deprimente de censura que o Brasil engoliu, veio mostrar que o chavismo
só não prosperou no Brasil porque o oxigênio da liberdade por aqui ainda
é maior do que na Venezuela. Mas o estado-maior petista não desistiu de
sua doutrina da democracia dirigida, e baba de inveja dos índices
fabricados pela companheira Cristina Kirchner, em sua cruzada
bolivariana pela informação de laboratório. Assim como Lincoln e Lula,
Cristina também é uma vítima da imprensa reacionária, que tem essa mania
mórbida de querer divulgar indicadores públicos verdadeiros.
O
lucro do BNDES acaba de ser maquiado, graças a mais uma manobra genial
dos companheiros que produzem superávit de proveta e passam blush na
inflação. Quando se trata de picaretagem para se agarrar ao poder, é
impressionante como a mediocridade do governo popular se transmuta em
brilhantismo. Como disse Lula na CUT: “Nós sabemos o time que temos.”
É mesmo um timaço. Merece no mínimo o Oscar de efeitos especiais.





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