Opção precoce por Aécio rompe tradição tucana
Desde a sucessão de FHC, em 2002, PSDB deixa escolha de candidato ao Planalto para o ano da eleição presidencial, em função de disputas internas
Nunca antes na história deste país o
PSDB lançou uma candidatura à Presidência da República com tanta
antecedência. Em dezembro, faltando um ano e dez meses para as eleições,
o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou que o senador Aécio
Neves (MG) seria o nome tucano para a corrida presidencial de 2014.
Assim, o PSDB deixou para trás o histórico de adiar ao máximo essa
decisão.
O motivo para postergar o anúncio de quem seria o candidato da sigla
costuma ser o mesmo, eleição após eleição: a falta de consenso em torno
de um único nome. Aliar as ambições pessoais e os interesses partidários
não foi tarefa fácil no ninho tucano nos últimos anos. ...
Até neste momento, em que o presidente nacional da sigla, Sérgio
Guerra, tem repetido por toda parte que Aécio é o candidato "da grande
maioria do PSDB", ainda há descontentes. Setores do partido, em especial
tucanos de São Paulo, estão insatisfeitos com a condução do processo,
que inclui a escolha do senador como presidente nacional da legenda.
Segundo afirmou FHC em entrevista ao Estado na semana retrasada, o
anúncio antecipado da candidatura de Aécio teria sido "inevitável"
diante das ações do PT e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em
prol da reeleição da presidente Dilma Rousseff. Fernando Henrique, no
entanto, disse que suas declarações sobre o senador mineiro tinha como
objetivo inicial apenas fortalecê-lo dentro da sigla.
A existência de disputas internas no PSDB ficou mais evidente nas
últimas três eleições. Em 2010, por exemplo, a disputa para ver quem
seria o escolhido foi entre Serra e Aécio, que só retirou a sua
pré-candidatura a dez meses das eleições.
Em 2006, os protagonistas da disputa foram Serra e o então governador
de São Paulo, Geraldo Alckmin. Quatro anos antes, o então senador Tasso
Jereissati (CE) também apresentou-se como rival de Serra e era o nome
preferido de Mário Covas, mas foi preterido na escolha.
Desgaste. O cientista político Bolívar Lamounier corrobora a avaliação
de FHC e afirma que a campanha à reeleição de Dilma forçou o PSDB a
agir. A declaração mais explícita de Lula pela reeleição da presidente
foi dada em fevereiro, em comemoração dos dez anos do PT no governo.
O desgate de outros quadros do partido, segundo o professor da USP e
consultor político Gaudêncio Torquato, também explicariam a preferência
por Aécio. "Serra já disputou a Presidência duas vezes sem sucesso e
Alckmin também já concorreu."
Para o filósofo José Arthur Giannotti, a oposição percebeu que, para
ter chance em 2014, precisava lançar um candidato o quanto antes. Ele
alerta, no entanto, que apenas um nome não será o suficiente para o
partido voltar ao poder. "Não basta definir quem vai ser o candidato, é
preciso definir sobre o que ele vai falar." Para Giannotti - que se
autonomeia "tucanoide", isto é, uma pessoa que pode votar em outras
siglas -, falta ao PSDB um discurso que não se baseie apenas em críticas
à atual gestão.
Por Isadora Peron
Fonte: Jornal Estado de São Paulo - 




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