por Genaro Faria.
E não foi à toa. O capítulo da nossa história que os políticos escreveram no presente não merece que o futuro lhe dedique um livro que nos orgulhe. Ao contrário, sobre ele nossos estudiosos vão se debruçar perplexos e envergonhados.
Mas não será assim que nós aprendemos, com os nossos erros?
A História não economiza essa lição nem é de outro modo que nós deixamos infância e a adolescência.
Muito menos a Biologia. O útero é o órgão de músculos mais poderosos do ser humano, muito mais que o coração, porque é do ventre da mulher que a vida rompe a escuridão para se iluminar. E essa a primeira e mais misteriosa revolução que experimentamos.
É de uma revolução assim que nosso país está carente. Para a vida. Que ao mesmo tempo é drama, aprendiz de seus tantos tropeços,dos amores desfeitos em cicatrizes que lhe penduram um retrato da pessoa amada na parede da alma. E nos acalma. Porque a vida é amor. E o amor não se extingue.
Sim, o Brasil está carente de uma revolução. Precisamos fazer com que os políticos sejam homens públicos. Que eles nos representem. Que façam o jogo do poder com competência – o que envolve artes e artimanhas necessariamente – mas com o objetivo de defender seus mandatários. E não sejam como advogados que traem os interesses de seus clientes.
Está claro que o Brasil precisa mesmo de uma revolução. E como está! Uma revolução em que os intelectuais, artistas, jornalistas e juízes resistam ao poder estatal descomunal em face um simples cidadão marginalizado pela arrogância de governantes que desprezam a lei. Estamos carentes dessa elite que, historicamente, arrostou o poder. E triunfou, conquistando, assim, o carinho e a admiração que transcendem seu talento excepcional.
Por último, mas não por menos, ao contrário, principalmente, o Brasil precisa recuperar a maior revolução de todos os tempos. A revolução que precisou sacrificar-se na cruz para nos dar à luz o que nosso intelecto não pode nos revelar. Um espelho da nossa imagem que se reflete no infinito.
Essa revolução é que nos trará de volta a dignidade humana que os ilusionistas solaparam e, por fim, sabotaram de nossa cidadania. E roeram o patrimônio nacional como um queijo que o Brasil esqueceu-se de guardar. Pois ninguém se levantou para afugentar os ratos.
Ora, um assalto assim não se pratica à luz do dia impunemente. Muito menos com louvores aos assaltantes. Nem mesmo numa democracia mais formal do que real. Como a nossa.
Neste ponto de exclamação é que concluo: O Brasil carece muito de uma revolução. Uma revolução em que o Estado, nossa criatura, esteja ao nosso serviço, seu criador. Que os políticos sejam nossos servidores e nós não sejamos seus serviçais. Que os intelectuais escrutinem nossa realidade e nos esclareçam, ao invés de pretender nos submeter à ideologia que toldam seu descortino. E que os artistas honrem a tradição libertária que rejeite qualquer moldura que possa cortar suas asas.
E como o sonho é um território comum a todo ser humano, não me esquivo de dizer que só faltaria ao Brasil voltar a ter uma Igreja católica, apostólica e romana. Não, cubana.
extraídadepuggina.org





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