Com Blog do Noblat - O Globo
Por que Lula virou ministro de Dilma?
Para escapar de ser preso pelo juiz Sérgio Moro, a quem caberia conceder
ou não o pedido de prisão de Lula feito pelo Ministério Público de São
Paulo. Ali, Lula é investigado por ocultação de patrimônio e lavagem de
dinheiro. Dilma e o PT construíram a narrativa de que Lula voltou ao
governo para ajudá-lo a salvar o país da crise, e a derrotar o
impeachment. A narrativa é falsa. A volta de Lula acabou servindo para
pôr a Lava-Jato dentro do Palácio do Planalto, e acirrar os ânimos no
país. Para o governo, está sendo péssimo.
Dilma tem chances de derrotar o impeachment?
Tem, embora elas diminuam a cada dia. Para aprovar o impeachment na
Câmara dos Deputados serão necessários 342 votos de um total de 503.
Haverá votos de sobra para aprovar ou rejeitar o impeachment. Jamais
será uma votação apertada. Ela refletirá, no dia em que acontecer, o
humor dos brasileiros e a situação do país e do governo. A Câmara corre
para votar o impeachment dentro de 45 a 60 dias. Se aprovado na Câmara,
dificilmente será rejeitado pelo Senado.
Michel Temer substituirá Dilma em caso de impeachment?
É o que está previsto na Constituição. É o que deverá ocorrer. Mas não é
obrigatoriamente o que ocorrerá. Temer foi citado na delação do senador
Delcídio do Amaral (PT-MS), que lhe atribuiu a responsabilidade pela
indicação de um diretor da Petrobras, preso e acusado de corrupção.
Temer respondeu que não indicou ninguém para a Petrobras. Se a denúncia
feita por Delcídio ficar por isso mesmo, tudo bem para Temer. Se não
ficar, o processo de impeachment de Dilma se estenderá por muitos meses à
procura de uma solução.
Se Dilma cair, qual será o futuro dela, de Lula e do PT?
Não haverá futuro político para Dilma. Do anonimato ela saiu, ao
anonimato voltará. Lula sempre terá algum futuro político, a não ser que
acabe preso e condenado, uma vez provadas as denúncias que o atingem.
Mesmo que não seja, porém, será remota a candidatura dele a presidente
em 2018. A imagem de Lula sofreu um duro golpe com as investigações da
Lava-Jato, e com o a revelação do conteúdo de conversas dele ao
telefone. Imagine o uso que se fará desses grampos nas eleições deste
ano e nas próximas. Quanto ao PT: ou aproveita a crise moral que o
abateu para se reinventar ou afundará, simplesmente.
E o futuro da política brasileira?
Pouco mudou na Itália com a Operação Mãos-Limpas. É cedo para saber se a
política entre nós mudará pouco ou muito com a Lava-Jato. O provável é
que mude um pouco. Por exemplo: aumentará o cuidado dos políticos com o
telefone. E eles terão ainda mais cuidado ao roubar. Os brasileiros
elegerão o próximo presidente sob o signo do nojo à política e aos
políticos. Isso não será bom. E poderá dar ensejo à eleição de um
aventureiro que se apresente como a-político, disposto a “mudar tudo o
que está aí”. Em 1989, Fernando Collor se elegeu assim.
extraídaderota2014blogspot





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