por Carlos Heitor Cony FOLHA DE SÃO PAULO
Houve tempo em que a rivalidade entre o Rio e São Paulo era letal,
sobretudo no futebol. O Brasil era o celeiro de craques e o técnico
Flávio Costa dava-se ao luxo de armar duas seleções para satisfazer as
torcidas dos dois Estados. Muita gente reclamava, mas o Brasil ia em
frente.
Hoje, mau e porcamente, podemos armar uma única seleção que nem merece o
nome de seleção. Temos apenas um craque (Neymar), que sozinho não dá
nem para a saída. O 7 x 1 ficará na nossa garganta até o final dos
tempos.
Isso me lembra um episódio esclarecedor. O papa Julio 2º contratou o
maior artista da época, Michelangelo, encarregando-o de pintar a Capela
Sistina, uma das obras definitivas da humanidade. Um dia, Julio 2º
descobriu no imenso palácio, residência dos papas até hoje, uma "stanza"
sem nenhum adorno, lúgubre, que não servia para nada.
Em cima de um andaime, Michelangelo estava pintando a Capela Sistina. O
papa mandou que ele descesse e mostrou aquela aberração em seus
domínios. Ordenou que o genial artista decorasse aquelas paredes nuas
que ficariam como uma das obras-primas da Renascença.
Michelangelo protestou, a capela que estava pintando dava-lhe um
trabalho que nenhum pintor aceitaria. O papa perguntou quem poderia
substituir o gênio que fizera a "Pietà". Num jardim próximo havia um
grupo de auxiliares, pegasse qualquer um e passasse a tarefa para o
aprendiz.
O papa aceitou o conselho, olhou a turma de aspirantes a pintor,
escolheu um, fez-lhe a proposta: "Você toparia pintar essas paredes que
me envergonham?". O rapaz topou o pedido, e Júlio 2º perguntou-lhe o
nome. "Rafael Sanzio" foi a resposta.
No futebol era assim: havia tantos craques que se podia armar duas seleções.
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