Direita
no Brasil é xingamento, não pega as mulheres. Meu conselho é o
seguinte: não interessa o que vocês pensem ou em quem votem, o
importante é ser de esquerda, no máximo de centro, que por sinal é meio
mal recebido nas festas do Sul do país. E ser de esquerda é fácil, é só
concordar com tudo o que ‘ele’ diz e faz. Como não é o meu caso, me vejo
obrigado a admitir que hoje em dia sou um comunista de direita, este
mundo é cruel!
Zecamunista, personagem de João Ubaldo Ribeiro, em ‘Esquerda, Direita,’ O Globo, 16 de dezembro de 2012)
Zecamunista, personagem de João Ubaldo Ribeiro, em ‘Esquerda, Direita,’ O Globo, 16 de dezembro de 2012)
5.
Direita e esquerda: estas palavras que, classicamente, já tiveram sua
época, perderam todo o significado que identificava posições
político-ideológicas antagônicas derivadas dos momentos decisivos pré
Revolução Francesa quando os primeiro (nobres e militares) e segundo
Estado (clero) sentaram-se à direita na reunião dos Estados Gerais, e o
terceiro (a burguesia) à esquerda. Enquanto os primeiros desejavam
manter a Monarquia absolutista dos Bourbons, a união entre Igreja e
Estado e seus privilégios, a burguesia queria a Monarquia Constitucional
ou a República (os jacobinos atropelaram qualquer possibilidade da
primeira hipótese), a separação Igreja-Estado, a liberdade econômica, o
fim dos privilégios de sangue, uma constituição democrática, a eleição
do Parlamento pelo voto, a redução de impostos e outras concessões
liberais. A esquerda, portanto, defendia o que hoje defendem os liberais
e uma parte dos conservadores que pretendem conservar os ideais
Republicanos, democráticos e da economia de mercado, retornando aos
valores morais e religiosos abandonados pelo progressismo materialista
baseado numa falsa noção de ciência anti-religiosa aplicada ao social.
Desde as teses de Marx, os jacobinos revolucionários se apossaram do
termo esquerda e tudo que se opõe a eles: mesmo a verdadeira esquerda
republicana e democrática, é de direita.
Como
diz a epígrafe, direita é sinônimo de xingamento, pois a nova língua
foi influenciada pela linguagem militar e depois corrompeu esta
linguagem. Basta ler algumas obras de Marx e principalmente de Lenin
para perceber o caráter acusatório, beligerante, desafiador, ofensivo,
difamatório da novilíngua revolucionária. As palavras perderam
completamente o significado para se transformarem em mísseis ou balas de
fuzil. O caráter comunicativo foi corrompido totalmente; a linguagem
não serve para convencer, mas para acusar e intimidar.
6.
Como corolário do anterior, a palavra ‘democracia’ também foi
pervertida e do produto desta perversão apossaram-se os revolucionários
retirando-lhe o caráter constitucional. Por exemplo: a ditadura do
proletariado é o supra-sumo da democracia e o único caminho para
atingi-la em sua plenitude.
A
verdadeira história da democracia é a exposta por Robert Schuman: “a
democracia deve sua existência à Cristandade. Nasceu no dia em que o
homem foi chamado para tornar realidade seu compromisso diário com a
dignidade da pessoa humana em sua liberdade individual, no respeito ao
direito de todos e na prática do sentimento de irmandade em relação aos
demais. Nunca, antes de Cristo, um conceito similar havia sido
formulado” (em European Soul).
Igualmente,
Konrad Adenauer afirmou: “a democracia é fundamentada no conceito
cristão de liberdade individual. Em minha opinião, o mundo nunca
conseguirá paz e liberdade a não ser que o conceito baseado nos
princípios cristãos seja vitorioso, principalmente na educação dos
jovens (Biography, p. 426).
Penso
que o único princípio pelo qual vale a pena lutar é a liberdade
individual, a paz é uma utopia! Defender a liberdade muitas vezes exige
guerrear por ela. Como disse Patton: “perpetual peace is a futile dream”
- a paz perpétia é um sonho fútil.
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