editorial do Estadão
A apenas quatro semanas do primeiro turno da eleição presidencial, o PT
finalmente sacramentou Fernando Haddad como seu candidato. Na versão
oficial do partido, o candidato deveria ser seu guia supremo, Lula da
Silva, mas este, de acordo com a martiriologia lulopetista, foi impedido
pelo “golpe” – uma descomunal articulação entre políticos, juízes,
banqueiros, imprensa e até o governo norte-americano para sabotar o
projeto de fazer o Brasil ser “feliz de novo”, conforme diz o slogan da
atual campanha do PT.
Está claro desde sempre, e muito mais agora, que Haddad é apenas um
preposto que concorrerá ao mais alto cargo do Executivo nacional não
porque deseja administrar o País segundo suas ideias ou as de seu
partido, mas para fazer as vontades de um presidiário, condenado a mais
de 12 anos de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro. A já conhecida
desfaçatez lulopetista parece ter atingido seu estado da arte.
Mais uma vez, Lula demonstrou que o PT deixou de ser um partido político
e passou a servir como mero instrumento para os jogos de poder do
ex-presidente. Todas as decisões a respeito da campanha foram tomadas
depois de exaustivas consultas ao líder encarcerado, que transformou sua
cela em Curitiba em escritório político, mais uma de suas tantas
afrontas ao sistema judiciário. Como se estivessem diante de uma
divindade, os petistas dobraram-se aos desígnios de Lula – que, segundo
suas próprias palavras, não é mais um ser humano, e sim “uma ideia”.
Assim, a apresentação de Haddad como candidato do PT à Presidência
cumpre apenas uma formalidade burocrática, pois era necessário colocar
algum nome na urna eletrônica, e o de Lula está vetado, de acordo com a
Lei da Ficha Limpa, que impede criminosos condenados por órgãos
judiciais colegiados de concorrerem a cargos eletivos. Ao apresentar um
candidato explicitamente postiço, o PT está a dizer a seu eleitor que,
se Haddad for eleito, o Brasil será governado de fato não pelo
ex-prefeito de São Paulo, cujas qualidades, se houver, são irrelevantes,
mas sim por seu líder encarcerado, a quem o eleito teria de pedir a
bênção a cada decisão de Estado a tomar.
Nunca se chegou a tal ponto de degradação na história política nacional,
mas é possível ter um vislumbre do terrível desastre que representaria
para o País um desfecho como esse se recordarmos como foi o desempenho
dos famigerados “postes” de Lula – o próprio Haddad, na Prefeitura de
São Paulo, e Dilma Rousseff, na Presidência da República.
Dilma, nunca é demais recordar, protagonizou um dos piores governos da
História nacional depois de ter sido vendida por Lula aos eleitores como
uma competentíssima gerente. O Brasil ainda levará muitos anos para
pagar toda a conta dessa irresponsabilidade, felizmente punida com o
impeachment antes que a “obra” de Dilma fosse concluída.
Já a administração de Haddad, como sabem quase todos os paulistanos, foi
marcada pela ineficiência, tão grande quanto sua arrogância. Governou
para uma ínfima parte dos paulistanos, que se deixaram encantar pela
alegada “modernidade” do prefeito, e desprezou as prementes necessidades
dos moradores da periferia, que dependem de serviços da Prefeitura. O
prometido “homem novo para um tempo novo”, como alardeou o PT ao
apresentar Haddad como candidato à Prefeitura em 2012, revelou-se uma
tapeação – e o resultado foi uma constrangedora derrota já no primeiro
turno, na sua tentativa de reeleição, em 2016, quando conseguiu perder
em todas as regiões da cidade.
Desta vez, contudo, nem é o caso de avaliar se Haddad é ou não
competente para exercer a Presidência, pois sua campanha terá o único
propósito de manter acesa a ofensiva lulopetista contra as instituições
democráticas – e não surpreende que, na seita de Lula, haja quem discuta
à luz do dia a hipótese de Haddad, se eleito, encontrar uma forma de
tirar o demiurgo da cadeia. Sob qualquer aspecto que se avalie, uma
campanha construída sobre tais bases é evidentemente uma afronta ao
processo eleitoral e um prenúncio de desestabilização – ou seja, tudo o
que o País não precisa.
EXTRAÍDADEROTA2014BLOGSPOT





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