VLADY OLIVER
Ainda existem sem-terra depois de treze longos anos de vigarice? Só na cabeça manca desses visionários do avesso. Bolsa-Famélica passada de pai pra filho também é outra jabuticaba tipicamente nacional. Ainda que não fossem um bando de ladrões do erário, afetados pela inveja crônica da normalidade e desferindo cusparadas nos desafetos, ainda assim seriam um bando de cretinos. Fundamentalistas boçais, patrocinados por fartas doses de grana pública.
E dá-lhe beijinhos nos filhos, odes à família, hipocrisias diversas e discursos vazios, num desfile de imbecilidades de todos os matizes. Não é para menos que o tsunami social parido depois que este simulacro de ditadura marreta mostrou suas garras e seus cuspes tenha se formado longe das editorias de jornais cooptados, das emissoras de televisão genuflexas, dos artistas encostados na tetona e dos esquerdistas da “forma geral”; um bando realmente disforme e compromissado mesmo com o que há de pior na agenda manca da socialidade amordaçada.
Não há mais espaço para a roubalheira impune; disso até o esquerdista Gabeira já entendeu recentemente. O que ele não entendeu – porque não quis entender – é que houve um preço pela empulhação gigantesca; preço este pago com o suor dos decentes, com o emprego dos iniciantes, com o projeto dos ludibriados e com o grito dos excluídos. Com certeza uma turba considerável de execrados, que hoje precisam ouvir no lombo que a prioridade da esquerda é ajudar os índios e os quilombolas que restaram no país. E os ciclistas e os militantes do MST.
Lamarca e Marighela, que não são sabores de pizzas indigestas, foram citados pelo menos duas vezes nos tais discursos relâmpagos dos congressistas, simulando uma partida de ejaculações precoces, torneio muito comum e apreciado pelos orientais com um pino a menos. Vergonhoso. Faltou mesmo a saudação ao Marcola ou ao Elias Maluco. Bandidos se identificam sempre com seus irmãozinhos na criminalidade, não é mesmo?
Eu queria mesmo entender que tipo de comiseração calhorda acomete todo aquele que defende com unhas, dentes, peitos e lábios, gente da laia de um Genoino, de um Dirceu, de um Cardozinho, de uma honesta Dilma, de um mortadelulão e companhia. Más companhias. Como não tenho bandidos para estimar, poderia incluir na lista desde os Aero Willys e suas cusparadas até os Cunhas e Renans que insistem em nos assolar impunemente também. O problema é que roubar por uma causa, por um projeto, por uma ideologia, me parece ainda mais nojento do que roubar pela ocasião, fazendo o ladrão em profusões oceânicas, na política brasileira.
Eu quero todo bandido preso. Tolerância zero com a bandidagem. E tolerância zero com os parceirinhos também, que dormem nas apurações presidenciais, defendem a permanência da megera no poder, querem “eleições gerais”, mesmo sabendo que a Constituição prevê que a ordem dos tratores é essa mesmo. Querem ganhar no gritinho histérico. Querem afirmar que Temer não ganhou exatamente o mesmo número de votos que dona Dilma reivindica exclusivamente para ela. Querem o poder no colo, sem mostrar esforço, determinação ou sintonia com a realidade das ruas. Nessa esquerda que aí está eu não voto nem amarrado.
Que fique bem claro: Quem se recusa a ajudar um governo de transição está contra o país e a favor de uma ideologia que não para em pé, incluindo aí a imprensa que não imprensa ninguém e os artistas montadões na grana das leis Rouanets. Nessa eu não caio. Que caiam os outros. Vagabundos.
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