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07:00
ANDRADEJRJOR
por Ruth de Aquino Epoca
O que une o Brasil Que a investigação continue. E que todos os bandidos políticos sejam punidos por seus crimes
Não
sei como será o julgamento de Dilma Rousseff no Senado, mas espero que o
nível dos votos seja melhor. Porque aguentar horas de arroubos suados
"pela minha esposa", "pelos meus netos e o que está por vir", "pela
minha tia Eurídice que cuidou de mim pequeno", "por Deus e pela honra de
minha família", "pela bandeira de minha cidade", "por Marighela",
"pelas vítimas da ditadura", "pelos corretores de seguro", "pelo fim da
vagabundização remunerada", "pelos policiais", "pelo fim do Estatuto do
Desarmamento", "pelo fim da troca de sexo" e, por fim, "pela memória do
coronel Ustra", conhecido torturador militar, foi, sim, demais da
conta.
Vamos reduzir os votos de 10 segundos para 5 segundos na próxima etapa para evitar esse vexame todo? Sim ou não?
Não
entendo o motivo do choque nas redes sociais com nossos representantes
na Câmara de Deputados. Ninguém sabia que eles eram assim? O
desconhecimento dos eleitores, mesmo os com diploma universitário, vai a
esse ponto? Não sabíamos da indigência no idioma? Nem da falta de
articulação, da falta de pruridos, da falta de raciocínio, da falta de
classe, da falta de princípios, da falta de compromisso com ideias?
Ao
vivo, dizem, é pior. Concordo. Muitos deputados pareciam imbuídos de
uma missão divina, extraterrestre. Começavam num tom baixo e iam
aumentando a um ponto tal que eu me encolhia na cadeira. Baixou a
Janaina Paschoal na maioria deles. Surto coletivo das cobras. Poucos
foram sóbrios.
Alguém
esperava algo diferente dessa figura lamentável que é Jair Bolsonaro?
Pergunta-se como alguém que elogia um torturador em público pode ser
mito em um país democrático. O pior é que ele é de fato ídolo de muita
gente no Brasil. Os seguidores de Bolsonaro são, para a nossa felicidade
e alívio, uma minoria, mas há muitos por aí que disfarçam a admiração
que sentem por ele. Sempre existirão Bolsonaros em todos os países, não
podemos nos iludir. Ele deveria ser processado por quebra de decoro,
porque defender tortura dentro do Congresso e diante da nação equivale a
crime contra a humanidade. Por outro lado, um voto desses é salutar por
expor as vísceras do autoritarismo - que só assim pode ser combatido.
Outra
coisa que chocou o país foi ver centenas de votos "pelo impeachment e
pelo fim da corrupção" dirigidas, em tom de reverência, a Eduardo Cunha,
campeão de acusações de enriquecimento ilícito por propinas e contas
secretas na Suíça. "Presidente (Cunha), eu digo sim ao impeachment, sim
ao fim da corrupção!". Essa fala dava um tom tragicômico à votação. De
vez em quando um se revoltava e vinha com o dedo em riste chamando Cunha
de canalha e ladrão. Cunha reagia assim: "como vota, deputado? como
vota, deputado?" Já vi muitas sessões de Congresso em vários países
ocidentais. Nunca vi nenhum parlamentar que não mova um músculo do rosto
ao ouvir um colega o chamar de canalha e ladrão aos gritos. É caso de
estudo esse Eduardo Cunha. Quanto mais cedo sair, melhor para o Brasil.
Não
entendo a indignação dos governistas e petistas com a traição de todos
os partidos de aluguel que eram da "base aliada" do PT. Ora, por acaso o
PT fez algum esforço na última década para se manter fiel a suas
raízes? Algum esforço para manter no Partido seus fundadores? Ou
preferiu "fazer como todos faziam" e se aliar a todas as oligarquias
rurais e corruptas que agora são acusadas de golpe? PP, PR, Maluf,
Sarney, estavam todos sustentando Lula e Dilma. Quem é desleal com sua
própria história não pode esperar lealdade de alienígenas.
Dilma
abusou do erro - como presidente, como líder e como pessoa. Quando se
escolhe um vice, e ela, Dilma, escolheu o decorativo Michel Temer,
deve-se cortejá-lo, deve-se dar a ele o papel devido na liturgia, pois a
carinha do outro está na chapa que ganhou 54 milhões de votos. Dilma
deu tanto as costas a Temer que ele aproveitou sua fragilidade e a crise
econômica do país para dar o bote. Dilma nunca foi engolida pelo PMDB
nem pelo baixo clero. Foi, no máximo, tolerada. Lembram aquele áudio
constrangedor da conversa do prefeito do Rio Eduardo Paes com Lula,
reclamando do "mau humor" de Dilma? Lula sabia muito bem que essa era
uma verdade universal no governo Dilma. O mau humor. A arrogância. A
centralização. Dilma não foi talhada para ser uma presidente, e menos
ainda uma presidente popular.
Não
foi o fim da série, mas ontem vimos o último episódio de uma temporada.
A baixa qualidade da Câmara ficou escancarada. A quem diz tratar-se
apenas de nossa imagem refletida no espelho, é bom lembrar que apenas 35
dos 513 deputados foram eleitos por voto próprio - a grande maioria foi
carregada pelas legendas dos partidos. Isso não nos exime de culpa. Por
muito tempo o brasileiro só quis saber de carnaval, samba, suor,
cerveja, praia, futebol e consumo. Alienou-se totalmente da política e
até de se informar sobre o exercício da política partidária, como se não
tivéssemos nada a ver com isso. Quantas vezes comentamos que nossos
hermanos argentinos tinham muito mais consciência política do que nós. O
que fazer para o brasileiro se interessar por política?
Já
não é este o caso. Aos atropelos, empurrada por uma crise que
desemprega, mata e pune com mais severidade as classes mais
desfavorecidas e a classe média, Dilma sofre um pedido de impeachment
que não inclui metade de seus malfeitos. Gostaria de ver investigado em
detalhes o papel de Dilma no cenário arrasado da Petrobras, de Pasadena,
de Belo Monte. Gostaria de ver investigada em detalhes a ligação do PT
com o assassinato de Celso Daniel. Gostaria de ver investigado em
detalhes o absurdo enriquecimento de Lulinha. Gostaria que José Dirceu
falasse sobre Lula. Gostaria de ver investigado em detalhes o que entrou
de doação ilegal e de propina de obra superfaturada na campanha da
reeleição de Dilma e Temer em 2014. Gostaria de ver investigado em
detalhes o que aconteceu nos bastidores dos programas Bolsa Família e
Minha Casa Minha Vida.
Gostaria
que Aécio Neves e todo o tucanato paulista fossem investigados em
detalhes, com rigor e sem perdão. Gostaria que eles prestassem contas
sobre as fraudes no metrô, nos transportes, na merenda escolar. Gostaria
que o PMDB deixasse de ser essa eminência parda que dança conforme a
música do poder. Gostaria que o Senado não fosse presidido por Renan
Calheiros. Gostaria que todos os bandidos políticos e de colarinho
branco fossem desmascarados e punidos de acordo com os crimes que
cometeram.
Só assim se consegue unir o Brasil.
extraídaderota2014blogspot
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