É tal a certeza da impunidade, tão grande e tão corriqueira a intimidade com o crime, tão banal a violação explícita da lei, que esses caras não se vexam Por: Reinaldo Azevedo
A
petroleira brasileira, senhores, tem um site institucional chamado
“Memória Petrobras”. E lá está um depoimento de Tripodi. Ele relata,
cheio de orgulho, que, na campanha eleitoral de Lula em 2002, dinheiro
do Imposto Sindical dos petroleiros da Bahia foi usado na campanha
eleitoral do petista. Diz: “Montamos um comitê no sindicato. Aprovamos
na assembleia uma contribuição. A categoria aprovou todo imposto
sindical da categoria ser destinado à campanha de Lula”. Nota: um dos
líderes dos petroleiros à época era Jaques Wagner, atual ministro da
Cosa Civil.
Segundo
Tripodi, o Imposto Sindical foi um “recurso fantástico”. E acrescenta:
“Montamos uma lojinha, fizemos todo um trabalho de mandar matéria para o
interior, montar carro, alugamos carro”.
Na
campanha anterior, de 1998, Tripodi conta ter conseguido doação para a
compra de um carro de som, “quase um trio elétrico”, que depois teria
sido doado ao PT.
O
“Bacalhau” não era, como se vê, um qualquer. Ele diz ter sido escolhido
membro informal do grupo de transição escolhido por Lula no fim de 2002,
depois que o PT venceu a eleição presidencial.
Novidade nenhuma!
Não! Meus caros, não há novidade nenhuma na informação de que o PT usou recursos do Imposto Sindical na campanha eleitoral de Lula. Todos sabemos que os sindicatos ligados à CUT, a maior central do país, colocam sua infraestrutura a serviço do partido.
Não! Meus caros, não há novidade nenhuma na informação de que o PT usou recursos do Imposto Sindical na campanha eleitoral de Lula. Todos sabemos que os sindicatos ligados à CUT, a maior central do país, colocam sua infraestrutura a serviço do partido.
Obviamente,
tudo isso é ilegal. O Inciso VI do Artigo 24 da Lei 9.504 proíbe
entidades sindicais de fazer doação direta ou indireta a partidos
políticos. Os “companheiros” não estão nem aí. Aliás, eis mais um traço
da hipocrisia petista: o partido do mensalão e do petrolão hoje se diz
contrário à doação de empresas a partidos. Não obstante, desde a sua
fundação, a legenda recebe doação ilegal direta e indireta de sindicatos
— que não deixam de ser entes privados.
Absurdo
Assim, embora Tripodi conte algo ilegal, a gente sabe que novo não é. O que é realmente do balacobaco é outra coisa.
Assim, embora Tripodi conte algo ilegal, a gente sabe que novo não é. O que é realmente do balacobaco é outra coisa.
Isso que o
tal petista relata é crime. Não obstante, está lá no site oficial da
Petrobras como “memória”. Depois da Operação Acarajé, foi retirado do
ar. Cobrada pela Folha, a pagina voltou a exibir o relato. Mas só se
consegue acessá-lo com cadastro e senha.
É tal a
certeza da impunidade, tão grande e tão corriqueira a intimidade com o
crime, tão banal a violação explícita da lei, que esses caras não se
vexam de relatar seus delitos na pagina oficial de uma estatal. Pior:
emprestando-lhes um caráter heroico.
Para lembrar
Nos seus primórdios, o PT se organizou opondo-se fortemente ao Imposto Sindical, que dizia ser coisa de “pelego”. A pregação passou para a CUT. O mantra: sindicato forte não precisa de imposto, mas de filiados.
Nos seus primórdios, o PT se organizou opondo-se fortemente ao Imposto Sindical, que dizia ser coisa de “pelego”. A pregação passou para a CUT. O mantra: sindicato forte não precisa de imposto, mas de filiados.
Era tudo
cascata. Em 2008, o então presidente Lula sancionou a lei que reconheceu
as centrais sindicais. Em vez de se aproveitar a oportunidade para pôr
fim ao Imposto Sindical, houve uma redistribuição.
A bolada
de mais de R$ 2 bilhões é assim repartida: 5% vão para as confederações;
15%, para as federações, 60% para os sindicatos. Antes do
reconhecimento das centrais, o Ministério do Trabalho levava 20% — o
dinheiro integrava o FAT. A partir de 2008, as centrais — a CUT
inclusive, é claro! — passaram a ter direito a metade do dinheiro que ia
para a Pasta.
A lei
aprovada no Congresso obrigava os entes sindicais a prestar contas ao
TCU, já que o dinheiro é obrigatoriamente descontado dos trabalhadores. É
uma imposição legal absurda, não tem querer.
Sabem o
que Lula fez? Vetou a exigência, alegando que o dinheiro pertence aos
trabalhadores. Assim seria se a contribuição fosse volitiva, mas não é.
As empresas são obrigadas a recolher o valor correspondente a um dia do
salário de todos os trabalhadores formais e repassar o valor às
entidades sindicais. Estas gastam como quiser e não prestam contas a
ninguém.
Bacalhou
nos conta para onde vai parte da grana. Depois os petistas se zangam
quando a gente chama esse troço de organização criminosa, não de
partido.
EXTRAÍDADEREINALDOAZEVEDOVEJA





0 comments:
Postar um comentário