AUGUSTO NUNES DIRETO AO PONTO
A publicação dos papeis sigilosos, que logo constrangeria governos de outros países, começou por informações e análises que deixaram a Casa Branca mal no retrato. Feliz com o escândalo, o palanque ambulante baixa instruções para a afilhada: “A Dilma tem que saber e falar pro seu ministro, se não tiver o que escrever, não escreva bobagem, passa em branco a mensagem”.
Animado com os aplausos, pisa no acelerador mas colide com a própria ignorância seis palavras além: “E aí aparece o tal do… “ Olha para trás em busca de ajuda. Vozes se atropelam para socorrer o falastrão atolado nas reticências. E enfim descobre o que procurava: “Wikileak”, recita, sem perder a chance de guilhotinar mais um S.
“E prenderam o rapaz e eu não ouvi um ato de protesto”, segue em frente a lengalenga. “Se ele leu, é porque alguém escreveu. O culpado não é quem divulgou, o culpado é quem escreveu. Portanto, ao invés de culpar quem divulgou, culpem quem escreveu a bobagem, porque senão não teria o escândalo que tem”. Troque “bobagem” por “conspiração criminosa”, “tramóia contra o Estado Democrático de Direito”, “coisa de bandido”, algo assim ─ e o vídeo pode ser apresentado como uma manifestação de apoio de Lula ao fim do sigilo determinado por Sérgio Moro.
Graças à divulgação do falatório grampeado, o Brasil pôde ver de perto o modus operandi, a alma safada, o vocabulário repulsivo, a cabeça deformada e o caráter obsceno dos quadrilheiros envolvidos no maior esquema corrupto de todos os tempos. Como ensinou o Mestre a seus discípulos, quem divulgou o escândalo não tem culpa alguma a expiar. Os culpados são Lula e seus comparsas.
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