Jornalista Andrade Junior

sábado, 12 de março de 2016

MÉDICOS REPROVADOS A SOCIEDADE PRECISA SABER

Os resultados do projeto-piloto criado pelos Ministérios da Saúde e da Educação para validar diplomas de  médicos formados no exterior
confirmaram os temores das associações médicas brasileiras.
Dos 628 profissionais
​ 
 que se inscreveram para os exames de proficiência e habilitação,
​ 
626 foram reprovados e apenas conseguiram autorização para clinicar.
A maioria dos candidatos se formou em faculdades argentinas, bolivianas e, principalmente, cubanas.
As escolas bolivianas e argentinas de medicina são particulares e os brasileiros que as procuram geralmente não conseguiram ser aprovados nos disputados vestibulares das universidades federais do País.
As faculdades cubanas,a mais conhecida é a
​ 
 - Escola Latino-Americana de Medicina (Elam) de Havana - são estatais e seus alunos são escolhidos não por mérito, mas por afinidade  ideológica.
Os brasileiros que nelas estudam não se submeteram a um processo seletivo,
​ 
 tendo sido indicados por movimentos sociais,
​ 
 organizações não governamentais e partidos políticos.
Dos 160 brasileiros
​ 
 que obtiveram diploma numa faculdade cubana de medicina, entre 1999 e 2007,
​ 2
 6 foram indicados pelo Movimento dos Sem-Terra (MST).
Desde que o PT,o PC do B e o MST passaram a pressionar o governo Lula
para facilitar o reconhecimento de diplomas cubanos,
o Conselho Federal de Medicina e a Associação Médica Brasileira têm denunciado a má qualidade da maioria
das faculdades de medicina da América Latina, alertando que os médicos por elas diplomados
não teriam condições de exercer a medicina no País.
As entidades médicas brasileiras também lembram que, dos 298 brasileiros que se formaram na Elam,entre 2005 e 2009,só  25 conseguiram reconhecer o diploma no Brasil e regularizar sua situação profissional.
Por isso, o PT, o PC do B e o MST optaram por defender o reconhecimento automático do diploma,
​ 
 sem precisar passar por exames de habilitação profissionalo que foi vetado pelo
​ 
ConselhoFederal de Medicina
e pela Associação Médica Brasileira.
Para as duas entidades,
​ 
 as faculdades de medicina de Cuba, da Bolívia e do interior da Argentina
​ t
 eriam currículos ultrapassados, estariam tecnologicamente defasadas e não contariam com professores qualificados.
Em resposta,
​ o
  PT, o PC do B e o MST
​ r
 ecorreram a argumentos ideológicos, alegando que o modelo cubano de ensino médico valorizaria a medicina preventiva,
​ 
 voltada mais para a prevenção de doenças
​ 
 entre a população de baixa renda do que para a medicina curativa.
No marketing político cubano, os médicos "curativos" teriam interesse apenas em atender a população dos grandes centros urbanos,
​ 
 não se preocupando com a saúde das chamadas
​ 
"classes populares".
Entre 2006 e 2007,
​ 
 a Comissão de Relações Exteriores da Câmara
chegou a aprovar um projeto preparado
​ 
 pelas chancelarias do Brasil e de Cuba,
​ 
permitindo a equivalência automática dos diplomas de medicina
​ 
 expedidos nos dois países, mas os líderes governistas
não o levaram a plenário, temendo uma derrota.
No ano seguinte,
​ 
 depois de uma viagem a Havana, o ex-presidente Lula pediu uma "solução"
​ 
 para o caso para os Ministérios da Educação e da Saúde.
E, em 2009,
​ 
 governo e entidades médicas negociaram o projeto-piloto que foi testado em 2010.
Ele prevê uma prova de validação uniforme, preparada pelo
​ 
 Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais do MEC,
​ 
 e aplicada por todas as universidades.
Por causa do
​ ​
 desempenho desastroso dos médicos formados no exterior,
​ 
 o governo - mais uma vez cedendo a pressões políticas e partidárias -
​ 
 pretende modificar a prova de validação, sob o pretexto de "promover ajustes".
As entidades médicas já perceberam a manobra
​ 
 e afirmam que não faz sentido reduzir o rigor dos exames de proficiência e habilitação.
Custa crer que setores do MEC continuem insistindo em pôr a ideologia na frente da competência profissional, quando estão em jogo a saúde e a vida de pessoas.






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