Estadão Conteúdo
"Embora o ex-Presidente mereça todo o respeito, em virtude da dignidade
do cargo que ocupou (sem prejuízo do respeito devido a qualquer
pessoa), isso não significa que está imune à investigação, já que
presentes justificativas para tanto", escreveu Moro, no despacho que
deflagrou nesta sexta-feira, 4, a Operação Aletheia.
O ponto mais alto da Lava Jato até aqui, a força-tarefa do Ministério
Público Federal afirmou que investigação "sobre o ex-presidente não
constitui juízo de valor sobre quem ele é ou sobre o significado
histórico dessa personalidade, mas sim um juízo de investigação sobre
fatos e atos determinados, que estão sob suspeita".
"Dentro de uma República, mesmo pessoas ilustres e poderosas devem estar
sujeitas ao escrutínio judicial quando houver fundada suspeita de
atividade criminosa, a qual se apoia, neste caso, em dezenas de
depoimentos e ampla prova documental", informa a Procuradoria.
Os mandados da Operação Aletheia estão sendo cumpridos em endereços do
ex-presidente Lula, do seu filho, Fabio Luís Lula da Silva, do Instituto
Lula, e em outros locais ligados a eles.
A operação foi deflagrada com base em investigações sobre a compra e
reforma de um sítio em Atibaia frequentado pelo petista, o fato de sua
mudança ter sido transportada para o local e a relação desses episódios
com empreiteiras investigadas na Lava Jato, além da relação dele com um
tríplex no Guarujá reformado pela OAS.
São investigados crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, entre outros
praticados por diversas pessoas no contexto do esquema criminoso
revelado pela Lava Jato que envolve pagamento de propina por grandes
empreiteiras em troca de obras na Petrobras a partidos políticos.
A investigação que atinge em cheio o principal nome do PT ocorre um dia
depois de vir à tona a delação do ex-líder do governo no Senado,
Delcídio Amaral (PT-MS) na qual o parlamentar afirma que a presidente
Dilma Rousseff teria atuado para interferir nas investigações no
Judiciário e de que Lula teria pedido para ele procurar o filho de
Nestor Cerveró para evitar que o ex-diretor da estatal não implicasse
José Carlos Bumlai.
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