editorial da Folha de São Paulo
A crise política que atordoa a administração Dilma Rousseff (PT) desde o
ano passado mudou novamente de patamar nesta quinta-feira (3), após a
notícia de que o senador Delcídio do Amaral (PT-MS) fez acordo de
delação premiada com os investigadores da Lava Jato.
Segundo a revista "Istoé", as afirmações de Delcídio atingem de forma
direta o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a presidente
Dilma Rousseff.
Ambos não só detinham pleno conhecimento do sistema de corrupção
instalado na Petrobras mas também teriam agido para silenciar
testemunhas ou evitar a punição dos envolvidos.
São acusações gravíssimas, capazes de, se confirmadas, afundar de vez o
grupo político alojado no Palácio do Planalto desde 2003.
O governo, naturalmente, tratou de desmerecer as declarações atribuídas a
Delcídio. Seriam retaliações de quem ficou quase três meses na cadeia
sem que tenha recebido ajuda para sair de lá.
Ainda que não fosse por isso, convém lembrar que o conteúdo de qualquer
colaboração premiada precisa ser corroborado por provas. As palavras do
delator não bastam para condenar ninguém.
Como consequência, a credibilidade ou as motivações de quem se dispõe a
contar o que sabe se tornam irrelevante no âmbito processual; o que
interessa é a validade das pistas apresentadas –e a respeito delas o
Supremo Tribunal Federal ainda dará seu veredicto.
Na esfera da política, porém, há inegável diferença entre o que afirma
um doleiro desacreditado e um ex-líder do governo no Senado Federal. Daí
por que líderes da oposição pretendem usar as novas revelações para
reforçar o pedido de impeachment da presidente.
Tanto pior para o Planalto, divulgaram-se também nesta quinta-feira os
números desastrosos do PIB. A retração de 3,8% em 2015 e as projeções
igualmente tenebrosas para 2016 atestam que o Brasil enfrenta uma das
piores crises econômicas de sua história.
Os articuladores das manifestações anti-Dilma dificilmente teriam
concebido combustível melhor para as passeatas marcadas para o próximo
dia 13.
Nem mesmo a intolerável presença do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) à
frente da Câmara –e do processo de impeachment, portanto– joga a favor
do governo a esta altura dos acontecimentos.
Acusado de corrupção e lavagem de dinheiro, o peemedebista tornou-se réu
no Supremo, mas já não é alvo preferencial da indignação de seus
colegas.
As atenções se voltam para Dilma Rousseff, que conhece seu pior momento
desde que assumiu o segundo mandato. A presidente parece cada vez mais
isolada e à deriva, sem condições de retomar o leme.
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