por Vinicius Torres Freire Folha de São Paulo
Lula lavou as mãos ao deixar o PT bater em Dilma Rousseff com um
programa econômico de oposição, entre outras injúrias e insultos na
surdina. Lula tanto fritou que queimou Luiz Eduardo Cardozo, ex-ministro
da Justiça, que seria "mole com a Polícia Federal". Contribuiu para
tornar ainda mais críticos os dois piores problemas da presidente.
Mas os entornos luliano e dilmiano dizem que os dois devem se encontrar
"nos próximos dias" para conversar. Enquanto Lula ajuda a atolar o
governo, a paralisia da administração Dilma suscita conversas cada vez
mais tensas sobre:
1) A influência que a perspectiva de crescimento descontrolado da dívida
pública terá sobre o mercado, já agora; 2) O impacto da inadimplência
crescente sobre bancos; 3) O impacto que prejuízos em alta e caixas em
baixa terá sobre a cadeia de pagamentos entre empresas –quebradeiras.
Sobre qual assunto vão conversar os dois? Dilma Rousseff vai rasgar a
fantasia curtinha e mal costurada de reformas que vestiu a contragosto
neste segundo mandato e vai adotar a "nova política econômica" lançada
pelo PT na sexta (isto é, "aprofundar" o programa de governo Lula, o que
engloba Dilma 1)? A presidente vai "dar um jeito na PF"?
Na semana passada, Lula deu aval ao plano petista de derrotar o programa
econômico que Dilma Rousseff pretende enviar ao Congresso. Ao derrubar o
ministro da Justiça, Lula atiçou ainda mais a animosidade da Polícia
Federal e contribuiu para disseminar a impressão de que foge da polícia e
quer abafar o caso desses imóveis com tantos e nenhum dono.
Ou seja, Lula aumentou o tamanho das duas piores encrencas do governo
Dilma: 1) O descrédito quase geral na capacidade e desejo da presidente
de reverter a degradação econômica; 2) A incrível quantidade de rolos
que envolve gentes do governo, o (suposto) partido do governo e chega
muito perto da campanha eleitoral de Dilma Rousseff.
Há uma fornada de escândalos novos para vazar. Virá um mês de delações
dos executivos da Andrade Gutierrez. Deve vir o início das delações do
pessoal da Odebrecht. A delação do empresário José Carlos Bumlai, o
amigo do sítio. A delação do senador Delcídio Amaral. Os desdobramentos
da prisão do publicitário João Santana. Isso, para ficar no essencial.
Há mais.
Eduardo Cunha pode se tornar hoje réu, acusado de receber propinas do
petrolão na Suíça. Mas até que seja deposto ou preso (ou mesmo assim)
vai provocar o caos enquanto estrebucha.
No Congresso, discutem-se coisas como reestruturar "na marra" a dívida
de Estados e municípios com o governo federal, o que seria um desastre
terminal, uma demonstração de que Dilma Rousseff não tem poder algum no
Parlamento e um estouro operístico do resto das contas públicas. Além do
mais, senadores vão votando pelas bordas um programa anti-Dilma
(mudança na lei do petróleo, lei da governança das estatais), prova de
que a presidente é café com leite mesmo na casa em que, acredita,
poderia ter votos para barrar seu impeachment.
Dilma Rousseff está sitiada por todos os lados e é solapada dentro de
casa, por Lula e PT. Não compreende o tamanho da crise e tem menos e
menos poder de domá-la.
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