MIRANDA SÁ
“A matemática vista corretamente, possui não apenas verdade,mas também suprema beleza – uma beleza fria e austera” (Bertrand Russell)
Na
década de 1950, quando dei baixa do Exército (no meu tempo a gente
tinha orgulho de servir ao País) ganhei uma viagem à Europa dos meus
pais. Fui à França, quase uma obrigatoriedade para os jovens da época, e
encontrei em Paris um colega que lecionava na República Democrática
Alemã.
Com
o famoso “jeitinho” brasileiro levou-me com ele para Leipzig e
conseguiu-me uma hospedagem na famosa Universidade de lá, uma das mais
antigas da Europa. Dali, com o pouco dinheiro que tinha fui para a outra
Alemanha, à Áustria, à Holanda, à Bélgica e de novo à França para
regressar ao Brasil.
De
uma família de professores, preocupei-me em ver escolas e constatei, no
ensino médio, a importância que davam às matemáticas, coisa que no
Brasil assustava a garotada como um monstro.
Passado
o tempo, e já atuando na imprensa, tomei conhecimento que uma das
maiores batalhas da “Guerra Fria” se desenrolava nas escolas…
Americanos, ingleses e soviéticos davam às suas crianças e jovens um
ensino da melhor qualidade.
E
depois assisti o grande salto desenvolvimentista dos chamados “Tigres
Asiáticos” convencendo-me que o desenvolvimento deles devia-se à
Educação, principalmente ao estudo científico, acompanhando métodos
usados na China que graças à formação de gerações se tornou a segunda
potência econômica do planeta.
Arrastando
essas memórias através dos anos, envergonho-me do que ocorre com a
educação no Brasil, atrasada mais de meio século do resto do mundo. Os
números que a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico
divulga sobre o nosso País são indignos, odiosos.
Ficamos
em 60º lugar no ranking mundial de Educação da OCDE, e como previ, os
“Tigres” ocuparam as primeiras colocações, Singapura no primeiro lugar,
seguido por Hong-Kong, Coréia e Japão.
A
maior desonra é ver-se que na América Latina ficamos atrás do Chile,
Costa Rica, México e Uruguai; e o pior de tudo é que as autoridades do
PT-governo ficaram eufóricas pela melhora em 10 anos de 0,68 no
desempenho em matemática…
A
maioria das crianças brasileiras até 11 anos não fazem contas
aritméticas de somar, diminuir, dividir e multiplicar; isto, num País
aonde a presidente Dilma, conduzida pelo marketing lançou um slogan,
“Pátria Educadora”, mostrando uma incrível falta de escrúpulos…
Acredito
que o analfabetismo, no idioma e nas matemáticas, é uma meta do
narco-populismo travestido de “socialismo”. Para dominar o povo, os
pelegos no poder impedem que a juventude se dedique ao estudo libertador
da mente e do espírito.
Recentemente,
o jornalista, escritor e pesquisador Ruy Castro escreveu sobre a
reforma dos currículos escolares imposta de cima para baixo pelo MEC.
Entre os absurdos do PT-governo, os luminares da literatura brasileira e
portuguesa já não comporão a grade do ensino médio.
Lembro
que o bando cretino do ‘politicamente correto’ já tentou –
audaciosamente – tirar os livros de Monteiro Lobato das estantes; agora o
poder invisível da ignorância “tornará milhões de livros obsoletos”
como diz Ruy Castro.
Impedindo
o acesso à linguagem, os zumbis do governo moribundo que vagabundeiam
na administração pública, insistem em degenerar o povo pelo
desvirtuamento da própria língua, como lembrou Rui Barbosa; e, coibindo o
ingresso ao mundo das matemáticas, roubam-nos o futuro.
O
culto da ciência alegrou-se nestes dias ao se comprovar, 100 anos
depois, a teoria sobre a existência das ondas gravitacionais que Albert
Einstein enunciou na Lei da Relatividade… Este sábio tem uma frase
antológica que vale a pena inserir neste texto: “A Matemática não mente.
Mente quem faz mau uso dela.”
EXTRAÍDADETRIBUNADAIMPRENSA





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