Carlos Chagas
Café Filho era vice-presidente da República, assumira em definitivo o poder após a morte de Getúlio Vargas e foi parar no hospital por conta de um pretenso enfarte. Alegando a impossibilidade de governar durante o período da doença, passou a presidência ao presidente da Câmara dos Deputados, Carlos Luz, profundamente empenhado no golpe para impedir a posse do presidente já eleito, Juscelino Kubitschek. Foi quando o general Henrique Lott, ministro da Guerra, entrou em cena. Luz foi deposto pelo Exército, assumiu o presidente do Senado, Nereu Ramos, e os golpistas foram presos ou para casa.
Frustrado, pois até hoje duvida-se da veracidade de seu enfarte, Café Filho resolveu retomar a presidência, como a Constituição garantia. Participou ao Congresso sua decisão, mas cinco minutos depois sua casa estava cercada por tanques e soldados. Resolveu lutar por seus direitos, impetrando mandado de segurança ao Supremo Tribunal Federal, que negou o recurso, garantindo a posse de Juscelino.
Tempos depois, com a democracia restabelecida, perguntaram ao permanente professor de democracia, Milton Campos, como votaria se fosse ministro do Supremo. Sua resposta surpreendeu, dizendo que seu voto seria simples: “nego porque pede…”
No caso, se um presidente da República, na plenitude de seus direitos, precisa de uma decisão judicial para exercê-los, é porque não era mais presidente da República. Naqueles idos, a democracia seguiu seu roteiro natural, com JK governando por cinco anos.
E DILMA???
Tome-se agora a situação em que se encontra a presidente Dilma Rousseff. Ela foi surpreendida com a divulgação de uma conversa telefônica sigilosa que mantivera pouco antes, pelo telefone, com o Lula. Sua primeira reação foi irritar-se, ameaçar meio mundo e afirmar que investigaria o episódio até o fim, para saber quem havia grampeado o telefone da presidente da República. Mandaria responsabilizar e prender quem tivesse praticado aquele ato de lesa-pátria.
Os dias passaram e não se fala mais nisso. Continua no anonimato quem atentou contra a privacidade da presidente da República. Pode ter sido um agente policial, um delegado, um promotor ou até um ministro. Quem sabe um bandido? Ou um juiz?
Ninguém sabe nem vai saber, repetindo-se um episódio com raízes no passado. Tivesse o Supremo Tribunal Federal atendido a legítima pretensão de quem detinha o direito de exercer seu mandato e a ditadura,no Brasil, teria se instaurado bem antes do que aconteceu. Agora, coisa parecida: e se madame descobrisse ter sido um de seus ministros e auxiliares que grampeava seu telefone?
EXTRAÍDADETRIBUNADAINTERNET





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