por Carlos Heitor Cony Folha de São Paulo
Poucas vezes foi tão dramática a busca de uma solução das muitas crises
que abalaram o Brasil, entre elas, a proclamação da República, a
Revolução de 30, as Intentonas de 35 e 38, sem esquecer os traumas que
foram o golpe de 64 e o golpe de 68 (o AI-5).
Estamos atravessando uma crise que ainda é pagã, ou seja, que ainda não tem um nome definido.
Apesar disso, vivemos um nó complicado tanto no setor político como nos
setores econômico e social, uma vez que todos nós, brasileiros, sabemos
que o país está abandonado à sanha de políticos, juízes e jornalistas em
busca de notícias.
É claro que me situo entre esses últimos, mesmo assim considero-me capaz
de dar, não uma solução, mas um palpite. Minha sugestão é simples e
dispensa passeatas. É a seguinte: está faltando uma delação premiada de
dona Dilma sobre Lula. E de Lula sobre dona Dilma. Ela e ele são o
negativo e o positivo do circuito elétrico da enorme pilha que está
incendiando o Brasil.
A mídia dá e espera delações premiadas ou não, mas nenhuma delas teve
capacidade de acabar com a crise. Não adianta o empreiteiro A delatar o
empreiteiro B, nem o ex-deputado acusar outro deputado ou ministro.
O que pode decidir a crise é o DNA do drama que estamos vivendo. O dia
que Lula contar tudo o que sabe sobre dona Dilma e dona Dilma contar
tudo o que sabe sobre Lula, entre mortos e feridos, todos poderemos ser
salvos.
Na verdade estamos afogados num mar que pode ser de lama ou de água
mesmo, todos estamos em busca, como lembrou Merval Pereira, de uma balsa
que nos salve ao menos momentaneamente.
O problema é encontrarmos essa balsa suficientemente grande e segura para salvar todos nós.
E o pior de tudo isso é que ninguém saberá aonde vamos chegar.
extraídaderota2014blogspot





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