por Bernardo Mello Franco Folha de São Paulo
Um político desonesto e ambicioso, com vocação para ditador, articula um
golpe para derrubar a República e tomar o poder. A ficha é de Lúcio
Sérgio Catilina, senador romano do século 1º a.C. O personagem inspirou o
batismo da Operação Catilinárias, nova fase da Lava Jato que teve como
principal alvo o deputado Eduardo Cunha.
"Até quando, ó Catilina, abusarás da nossa paciência? Por quanto tempo
ainda há de zombar de nós essa tua loucura? A que extremos se há de
precipitar a tua audácia sem freio?", perguntou o cônsul romano Marco
Túlio Cícero, em discurso que sobreviveu mais de 2.000 anos.
As palavras voltaram a ecoar ontem, no noticiário e na tribuna da
Câmara, enquanto parlamentares buscavam informações sobre os 53 mandados
cumpridos pela PF.
O arrastão atingiu em cheio o PMDB, que o professor Marcos Nobre definiu
como "uma empresa de fornecimento de apoio parlamentar, com cláusula de
permanente revisão do valor do contrato". Além de bater à porta do
presidente da Câmara, a PF fez buscas nas casas de aliados de Renan
Calheiros e Michel Temer.
A Catilinárias ilumina os porões do partido no momento em que os
peemedebistas tentam se apresentar como alternativa de poder. Serve como
lembrete de que PMDB e PT podem ter se afastado na crise, mas seguem
unidos na lama do petrolão.
A operação poderia ter sido uma boa notícia para o governo, mas voltou a
evidenciar a fragilidade política de Dilma Rousseff, que passou a ter
mais dois ministros sob investigação. Refém do PMDB, a presidente não
pode nem pensar em afastá-los. Além disso, precisa torcer para que o
medo da polícia não empurre Renan para a turma do impeachment.
Cunha repetiu o choro de sempre, mas não deveria reclamar da
Catilinárias. A PF levou seus celulares, mas manteve o Porsche na
garagem e deu folga ao japonês de Curitiba.
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