por Carlos Heitor Cony Folha de São Paulo
Nunca foi tão fácil para o Brasil resolver todos os seus problemas.
Passei o último domingo lendo nossos jornais e revistas e vi que a
solução nunca esteve tão na cara como agora. Desde as Guerras Púnicas,
quando Catão descobriu o inimigo de Roma e bradou, sem jornais e
revistas, o diagnóstico correto ("Delenda Cartago"), que a história não
criou condições para se descobrir o inimigo óbvio de um país e de um
povo.
Ao contrário de Nelson Rodrigues, que de certo modo era um Catão emérito
(ou seja, aposentado), nem toda a unanimidade é burra. Em alguns casos,
além de não ser burra, é inteligente como um PhD de Harvard. Embora
seja raro, sempre acontece quando as forças vivas da nacionalidade, as
reservas morais da nação descobrem o câncer letal que corrói o país,
levando-o à destruição total e definitiva.
Incompetência da presidente Dilma, ambição desvairada de um PT
eternamente no poder, corrupção nos altos e baixos escalões da vida
pública, inflação que sobe cada vez que o governo garante que ela não
existe, a crise que atravessamos tem um treponema detectado e mortal: o
deputado Eduardo Cunha.
Eliminando-o da presidência da Câmara no primeiro passo e da face da
Terra no segundo, voltaremos ao paraíso terrestre sem serpentes, à era
de ouro cantada por Ovídio, "materiam superabat opus" ("Metamorfoses",
II, v. 5). Foi esta a conclusão a que cheguei após a leitura dos jornais
e das revistas. Evidente que o deputado em questão, de acordo com o
mantra antigo dos nossos avós, não é flor que se cheire. Além dos seus
negócios na Suíça, mostrou-se tão chantagista como dona Dilma: se você
faz isso, eu faço aquilo.
(Esta crônica cita Nelson Rodrigues, Catão, Ovídio, Guerras Púnicas,
Suíça, Catargo e Harvard. Só me esqueci de citar os ossos de Dana de
Teffé).
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