Mensageiros da intranquilidade e da inquietação
Ernesto Caruso
Publicado no O Estado/ MS
No
dia 20/12/2012 houve o almoço da presidente Dilma com os generais,
rotina das festas natalinas regada de afabilidades, sorrisos, e
calorosos cumprimentos de mão, fotos diferentes do ocorrido na cerimônia
de posse do presidente do STF, ministro Joaquim Barbosa, onde a sisudez
da presidente embaciava o ambiente. Constrangimento diante do relator
da ação penal referente ao mensalão do PT e condenação de alguns
correligionários prestigiados pelo partido.
O almoço de com/fraterni/zação (fraternal...),
ocorreu poucos dias depois da solenidade de entrega da premiação, feita
pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. Dentre
os que receberam o Prêmio Direitos Humanos, o “Levante Popular da
Juventude”, que tem organizado os escrachos contra os agentes do Estado
que derrotaram os torturadores/terroristas/sequestradores que
infernizaram este país nas várias intentonas comunistas. E quem lhes
entregou a menção honrosa foi a presidente da República com palavras
elogiosas: “o prêmio homenageia pessoas lutadoras e que arriscam suas
vidas em defesa dos direitos humanos”. A ministra Maria do Rosário,
organizadora, diz que o troféu é o reconhecimento à generosidade de
pessoas e organizações que tem como finalidade trabalhar para a
humanidade.
Essa “generosidade” se deve ao aprendizado com Fidel/Che Guevara no tratamento aos opositores/presos cubanos?
Quanta
generosidade e risco de vida ao insultar, cuspir e agredir os que
compareceram à palestra sobre o 31 de Março no Clube Militar em 2012,
militares com 70/80 anos e civis, como relata no seu blog
“papodefilhinha” as agressões que sentiu uma jovem jornalista presente
ao evento.
Outro exemplo de constrangimento
para a família e desrespeito aos vizinhos ocorreu diante da residência
do Cel Lício Maciel, 80, que como militar foi combater os terroristas no
Araguaia (1972/75), cumprindo ordem. Se não o fizesse seria criminoso
por insubordinação ou por deserção; levou tiro no rosto. Um período
sofrido, como destacado do seu depoimento na Câmara dos Deputados:
“Genoino, aquele rapaz foi esquartejado! Toda a Xambioá sabe disso,... e
vocês nunca tiveram a coragem de pedir desculpa por terem
esquartejado... Cortaram primeiro uma orelha na frente da família...;
cortaram a segunda orelha; o rapaz urrava de dor,... e no final deram a
facada que matou João Pereira.” O rapaz tinha 17 anos e tido como guia
dos militares.
Não foi um passeio no parque.
Tristes momentos da época e ao relembrá-los. Mas, resultado do
enfrentamento de combatentes. Hoje o “levante” é a covardia, vingança
sórdida ao empregarem grupos com megafones, faixas e ofensas nas
calçadas frontais das residências de aposentados com mais de 80 anos. Um
papelão.
Os jovens do passado que foram
enganados e arrastados para a luta armada por velhos e ultrapassados
comunistas, hoje iludem outros jovens e os conduzem para os escrachos,
lhes dão prêmios e os adestram para a luta. O grupo defende mudanças
estruturais na sociedade, com atuação em vários estados, como foi no
passado, ligas camponesas, movimentos operário, estudantil, etc.
No
embalo, a UNE monta a lona da sua Comissão da Verdade durante o 14º
Conselho Nacional de Entidade de Base, em Recife, com a participação de
Claudio Fonteles, coordenador da Comissão Nacional da Verdade e
apresentação do filme “Ditadura militar”.
A
entrevista de Fonteles a uma jornalista da Globonews não deixa boa
impressão nas propostas que apresenta como coordenador e, não demonstrar
a imparcialidade imposta na lei que tanto enfatiza, quiçá por ter
integrado o grupo Ação Popular na juventude, e aos 76 anos, “se
encontrar com 18 quando lutou por uma sociedade mais justa”.
O
esquartejado não faz parte dessa “verdade”, mas Fonteles repete várias
vezes a expressão “mazelas do estado ditatorial militar”, não acredita
nos comandantes quando dizem que tudo foi destruído, assegura que não há
revanchismo (oh!), que se deve alterar a formação dos militares, que os
livros de História devem ser modificados no ensino militar, e como
cidadão e de Ministério Público acha que os agentes públicos sejam
punidos.
Falam com tal convicção a demonstrar
que vão rasgar a Lei da Anistia que lhes rendeu milionárias
indenizações, corromper os congressistas e tingir de vermelho a toga,
mas vão encontrar velhos soldados com um pedacinho da Bandeira no
coração a reverenciar os 18 do Forte, em maior número.
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