por Leonardo Faccioni.
Diversas páginas sobre história ou fantasia medievais em inglês entraram em modo de completa paranoia essa semana, tendo de justificar-se pela ausência de conteúdos africanos.
Vejam bem: páginas indo-europeias, ucranianas, polonesas, mas com conteúdos em inglês, desculpando-se copiosamente por não produzirem materiais “diversificados” para seus leitores americanos e comprometendo-se a criar alternativas. Páginas sobre a Escócia do século XV suplicando compreensão e paciência por toda a sua iconografia resumir-se [ainda] a “brancos privilegiados”!
Parece que a histeria racialista atingiu níveis sem precedentes.
Aos amantes do cinema de época, recomendo que arquivem – em mídias próprias, pois já se evidenciou a vulnerabilidade dos serviços de streaming a operações stalinistas de ocultação e lavagem – o máximo de produções antigas que possam acessar. É provável que nunca mais tenhamos reconstruções ou ficções minimamente verossímeis sobre os séculos passados: a necessidade de sacramentar no altar da política a melanina e as genitálias como redução última da liberdade humana é incompatível, desde a raiz, com as motivações das gerações jazentes entre nós e as cavernas.
* Do Facebook do autor.





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