O Globo Demétrio Magnoli:
Por enquanto, Aécio só tem contra ele vagas referências em delações
premiadas, mas Eduardo Cunha enfrenta evidências devastadoras. Um
governo de “salvação nacional” ancorado em Temer-Cunha tem chance zero
de decolar. Se Temer for Temer, será breve. Sua única oportunidade é ser
outra coisa: Itamar.
O novo governo terá um curto período de graça, concedido por um país
farto do lulopetismo e da crise. Temer só decolará se emitir sinais
alinhados ao “espírito das ruas”, formando um ministério enxuto, de
figuras competentes e insuspeitas, rompendo as práticas abominadas do
“presidencialismo de coalizão”.
Ele só se salva se lançar ao mar os bandidos de estimação de seu próprio
partido e adjacências, começando por Cunha. O passaporte indispensável é
o compromisso com a independência do Judiciário e a autonomia do
Ministério Público. Temer será breve se tentar interromper a Lava-Jato
para poupar as máfias políticas atemorizadas.
A equação tem incógnitas excessivas. O novo governo precisa evitar a
pilhagem da administração pública e, ao mesmo tempo, obter uma maioria
parlamentar.
Deve semear as reformas econômicas, que não são populares, sob o
bombardeio do lulismo mobilizado. Tem que costurar a “união nacional” em
meio à concorrência partidária do pleito municipal e à corrida
eleitoral antecipada de 2018. Era mais fácil ser Itamar nos tempos de
Itamar.
“Diretas, Já!”, começa a gritar um PT oportunista. Não há tempo para
eleições diretas pela via do TSE. A Constituição bloqueia a antecipação
de eleições. A única hipótese legal de “Diretas, Já!” seria a dupla
renúncia de Dilma e Temer.
No hiato entre sua posse e o julgamento de Dilma no Senado, Temer
decidirá entre ser Temer ou ser Itamar. Caso decida ser ele mesmo, seu
governo se destruirá antes da votação final no Senado. Do colapso,
surgiria a brecha para o estranho acordo da dupla renúncia, uma
inesperada forma de “união nacional”.
extraídaderota2014blogspot





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