Miriam Leitão O Globo
A mensagem ficou claríssima. O recado dado pelos manifestantes é a indignação contra a corrupção, com a defesa da Lava-Jato. Esse é o centro do protesto que levou tanta gente à rua no domingo e que deve ter efeitos na política.
A situação econômica é realmente grave. Estamos vivendo a recessão mais prolongada e, tudo indica, a mais profunda da história. Isso cria o ambiente de insatisfação, mas o momento da economia foi apenas parte do pano de fundo que motivou tanta gente a se manifestar. O combate à corrupção foi o grande protagonista.
O episódio de São Paulo, em que Geraldo Alckmin e o Aécio Neves foram hostilizados, pode ser pontual, mas leva o recado de que a população está cansada da forma tradicional da política. Isso não é só no Brasil. No mundo inteiro, como no caso dos movimentos espanhóis do Podemos e do Ciudadanos, há movimentos por renovação, às vezes com a pior escolha que se possa fazer, exemplo do Partido Republicano dos EUA indo na direção de Donald Trump. Há uma série de casos pelo mundo que mostram uma reação contra a forma tradicional de política.
Numa democracia, manifestações com 3,5 milhões de pessoas nas ruas têm consequências. Isso vai influenciar as decisões dos políticos em relação ao governo Dilma, que está quase sem apoio.
No Congresso há um processo de impeachment. Inicialmente, o pedido era por causa do crime contra a ordem fiscal. Mas é importante lembrar que na direção da Câmara dos Deputados há um réu da Lava-Jato, a operação que ontem recebeu o apoio da maior manifestação da história do Brasil. No TSE, o processo que pode levar à cassação da chapa Dilma-Temer só vai ser julgado em setembro. É um vazio, um tempo muito grande para um governo que se encontra sem força. Falta iniciativa, inclusive, para virar o jogo pelo lado da economia. A confusão aumentou nas últimas semanas. O ministro Nelson Barbosa, que era considerado o petista dentro da área econômica, agora é hostilizado pelo próprio PT.
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