Jornalista Andrade Junior

sábado, 12 de março de 2016

“Panela no fogo”

e outras cinco notas de Carlos Brickmann  Publicado na Coluna de Carlos Brickmann

Muitas coisas devem se precipitar nos próximos dias na área das investigações. Falta homologar a delação premiada de Delcídio, há o depoimento de Lula marcado para o dia 14, e há algo ainda mais explosivo: Marcelo Odebrecht, principal executivo da maior empreiteira do Brasil, foi condenado pelo juiz Sérgio Moro a quase vinte anos de prisão. Mas Moro abriu-lhe uma possibilidade: embora já condenado, pode fazer delação premiada. E, se alguém sabe das coisas ─ e não apenas com relação ao PT, mas também à oposição, e não apenas com relação a Brasília, mas também a governos estaduais ─ é Marcelo Odebrecht. Mesmo que ganhe benefícios a partir do cumprimento de um sexto da pena, serão quase seis anos de regime fechado, o que pode ser insuportável para alguém habituado a bom padrão de vida.
Traduzindo: como resistir à delação premiada?
O difícil convite
Lula e seus partidários reclamaram da condução coercitiva que lhe foi imposta para depor, alegando que ele, sempre que convidado, prestou declarações sem criar qualquer problema. Acontece que foi arrolado como testemunha de defesa do pecuarista José Carlos Bumlai e o oficial de Justiça estava tendo dificuldades para entregar-lhe a intimação.
Resultado: enquanto depunha à Polícia Federal, sob condução coercitiva, o oficial de Justiça entregou-lhe a intimação.
PMDB, PP e a ética do PT
Em 2004, muita gente e poucos animais foram vítimas do tsunami que atingiu a Indonésia. Boa parte dos animais percebeu que a região se tornaria perigosa e se refugiou em locais mais seguros.
A propósito, o PMDB deve afastar-se de Dilma. O PMDB apoia o PT desde 2003, quando Lula se elegeu. Agora reage à “má gestão”. E, segundo a proposta de ruptura, divulgada pela repórter Andréia Sadi, da Globonews, acha intolerável “a crise ética” que “avilta a nação”. O PP também deve romper com Dilma, também por motivos éticos. Paulo Maluf, que ao descobrir suas afinidades com Lula, Dilma e Haddad tinha virado pró-petista de carteirinha, lançou o governador tucano de São Paulo, Geraldo Alckmin, à presidência da República.
PMDB e PP não suportam um ambiente sem ética.
Tudo acabou
Quando PMDB e PP largam um governo, esqueça a ética. É que a teta secou.
Dilma, a solitária
O problema de Dilma não se reduz aos partidos de sua base de apoio. O professor e ex-ministro Delfim Netto, que exerceu uma certa assessoria informal para Lula, critica abertamente o governo. Empresários que sempre apoiaram o PT fazem hoje sérias restrições a Dilma. Um bom exemplo é Lawrence Pih, do Moinho Pacífico, talvez o primeiro empresário a apoiar os petistas: “A presidente perdeu a pouca capacidade de governar que lhe restou”.
Verdade verdadeira
Vale a pena ler ao menos este parágrafo da proposta de ruptura do PMDB com o governo. Para quem sabe quem é quem, é uma delícia.
“Queremos, dentro do Partido e com a sociedade, debater e apontar soluções para o Brasil, que tenham sempre a questão ética e moral como base, criem um novo pacto federativo, reduzam a máquina pública e retomem o desenvolvimento econômico e social para todos os brasileiros, como vem sendo proposto por Michel Temer”.







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