editorial da Folha de São Paulo
Enquanto o poder presidencial fibrila como coração à beira do colapso, o
desespero para reanimá-lo ameaça fulminar a intenção de reformar a
Previdência, raro acerto na extensa lista de erros do governo Dilma
Rousseff (PT).
Ministros ligados ao ex-presidente Lula (PT) aconselharam a mandatária a
postergar a apresentação do projeto ao Congresso, antes programada para
o final de abril. Argumentam que isso asseguraria coesão da base aliada
para enfrentar a batalha do impeachment na Câmara dos Deputados.
Na sexta (11), Dilma aderiu à corrente procrastinatória. Evitou
comprometer-se com prazos para levar a proposta aos legisladores. Alegou
dificuldades políticas para a aceitação das mudanças.
Atitudes como essa reforçam a imagem da presidente como figura pública
liliputiana. Prisioneira voluntária de um labirinto de escolhas
aviltadas, Dilma parece não enxergar o dano que seu apequenamento
provoca no país.
A esta altura, conhecidos os números do estrago econômico de 2015 e
divisado um novo calvário para a renda e o emprego de milhões de
brasileiros neste ano, já deveria estar claro para a petista que somente
uma mudança drástica e tempestiva da administração federal, no rumo
majoritário e reformista, poderá atenuar a queda e abreviar a reversão
desse quadro terrível de recessão.
Dilma Rousseff, no entanto, insiste em jogar a partida dos minoritários,
apenas em busca, na Câmara, dos 171 votos suficientes para livrar o seu
pescoço da guilhotina.
Talvez ainda haja tempo de a presidente liderar a única reação capaz de
salvar ao mesmo tempo seu governo e sua biografia. Ela passa pela adesão
imediata e definitiva à agenda de reformas, entre elas a da
Previdência, que podem colocar de volta nos trilhos um país que
descarrila.
Os gastos previdenciários hoje consomem 12% do que se produz no Brasil
todo ano –uma enormidade para o seu estágio de desenvolvimento e para o
padrão ainda relativamente jovem da população brasileira. Projeções
indicam que, se nada for feito, essa cifra chegará a 20% ao completar-se
o amadurecimento demográfico nacional.
É preciso, entre outras medidas, elevar paulatinamente a idade média em
que as pessoas se aposentam, hoje de 55 anos. Deslocá-la para os 65 anos
no prazo de uma década, por exemplo, seria compatível com os avanços na
duração e na qualidade da vida no Brasil.
Dilma Rousseff poderá ser lembrada no futuro como a presidente que ao
menos tentou evitar um conflito geracional pela renda de proporções
ciclópicas. Ou será esquecida na poeira da história.
extraídaderota2014blogspot





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