Jornalista Andrade Junior

sexta-feira, 18 de março de 2016

Ao depor, Lula incriminou Marisa e a direção do seu Instituto

Carlos Newton


Nunca antes na História deste país se viu um ex-presidente prestar depoimento à Polícia Federal usando tanto deboche, desprezo e ironia, tentando ridicularizar os dois delegados (Luciano Flores de Lima e Ricardo Hiroshi), que somente não lhe deram voz de prisão por desacato à autoridade, porque precisavam que ele falasse o máximo possível, para se contradizer e fazer revelações que pudessem incriminá-lo, como acabou acontecendo. Deixaram Lula falar palavrões à vontade, nada os afastou dos objetivos traçados ao preparar o minucioso interrogatório, cujo termo de transcrição ocupou exatamente 98 páginas.
Se tivesse juízo, Lula teria ficado em silêncio. No início do depoimento, foi informado a respeito de que tinha o direito de ficar calado, mas do alto de sua arrogância e prepotência, o ex-presidente fez questão de responder às indagações. Lula estava acompanhado de Roberto Teixeira, amigo, advogado e compadre, e da filha dele, a advogada Valeska Martins. No depoimento, Teixeira só tentou interferir uma vez, para evitar que fosse tocado o assunto do tríplex, mas o delegado não lhe deu maior atenção e seguiu em frente.
O longo interrogatório foi conduzido com maestria. Primeiro, deixaram Lula falar à vontade, para enaltecer seu governo, destacando as principais realizações. Deram corda, e depois foram buscando as informações de que a força-tarefa necessitava, agindo com impressionante calma, como se não percebessem as provocações e o achincalhe de Lula, que aos poucos foi falando tudo o que se pretendia extrair dele.
NÃO SABIA DE NADA…
Como sempre, o ex-presidente adotou sua velha estratégia de dizer que não sabia de nada. Não percebeu que, ao agir assim, acabaria incriminando a própria esposa e também os amigos que hoje trabalham no Instituto Lula. Assim, além de colocar dona Marisa na condição de cúmplice nos casos do sítio, do tríplex e dos bens da Presidência que o casal trouxe de Brasília, atribuindo exclusivamente a ela a responsabilidade, ele também incriminou os companheiros do Instituto Lula – o presidente Paulo Okamotto e os diretores Clara Ant, Luiz Dulci, Paulo Vanucchi e Celso Marcondes.
Com muita habilidade, os delegados conseguiram que Lula admitisse que o Instituto e sua empresa de palestras, a LILS, são a mesma coisa, funcionam no mesmo local e utilizam os mesmos empregados. Demonstrando ignorância e soberba, foi caindo na rede e admitiu que os dirigentes do Instituto procuram as empresas para conseguir doações e decidem em conjunto como gastar os recursos da entidade, sem a menor participação dele, que não toma conhecimento de nada.
No caso da apropriação dos bens da Presidência, que Lula classificou como “tralhas”, acabou culpando dona Marisa, que cuidou sozinha de tudo, porque ele era o presidente da República e não tinha tempo para cuidar dessas coisas. A propósito, disse saber que alguns presentes são valiosos e por isso estariam no cofre de um banco.
TRÍPLEX E SÍTIO
Sobre o tríplex do Guarujá, Lula demonstrou ter se tornado um patético novo rico. Ironizou o apartamento, dizendo se que se trata de um “tríplex Minha Casa Minha Vida”, que considera “muito pequeno”, por ter apenas 215 metros quadrados. Esta declaração do ex-presidente é mesmo um acinte, quando se sabe que as casas construídas pelo programa habitacional do governo têm apenas 39,6 metros quadrados. Ou seja, no tríplex desprezado por ele caberiam cinco casas e ainda sobraria espaço.
Acerca do sítio em Atibaia, Lula repetiu que a versão criada por seu advogado Nilo Batista, dizendo que só veio a saber da existência da propriedade no dia 12 de janeiro de 2011, ou seja, toda a mudança de Brasília para São Paulo teria sido organizada e comandada por dona Marisa, sem a menor participação dele.
E continuou se esquivando de responsabilidades, dizendo que nada sabe sobre um contrato do Instituto Lula com a empresa G4, que pertence a seu filho Fábio Luís, o Lulinha Fenômeno. Quanto à Flexbr Tecnologia S/A, que também fez contrato com o Instituto, o ex-presidente até ironizou o delegado federal, alegando que a empresa é “uma peça de ficção”, pois nunca ouviu falar a respeito dela. Mas acontece que a Flexbr existe, foi criada por Marcos Claudio Lula da Silva e o Sandro Luis Lula da Silva, filhos dele, e está sediada num imóvel que pertence à empreiteira Mito Empreendimentos, por coincidência fundada pelo advogado Roberto Teixeira e hoje registrada em nome da mulher e da filha do advogado, a advogada Valeska Teixeira Zanin Martins, que estava assistindo ao interrogatório.
DESACATO DÁ PRISÃO

Diante do comportamento desaforado de Lula, os delegados podiam ter dado voz de prisão a ele, mas preferiram extrair novas informações para incriminá-lo. E o ex-presidente caiu como um patinho, como se dizia antigamente. Agora, está nas mãos do juiz Sérgio Moro decretar ou não a prisão dele. Se for nomeado ministro, a situação não se modifica, porque é apenas uma questão de tempo. O Supremo também mandará prendê-lo, porque uma coisa é certa – na vida, tudo precisa ter limites.





EXTRAÍDADETRIBUNADAINTERNET

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