Roberto Nascimento
Depois da já celebre carta, não existe mais relação institucional do vice Michel Temer para a presidente Dilma Rousseff. Esta importante comunicação, que se tornou histórica pelo inusitado de suas linhas, começa com uma frase em latim,”verbo volanti, scripta manent”, cujo significado é que as palavras voam, mas a escrita permanece. O Planalto maldosamente divulgou a carta pessoal de Temer a Dilma , o que provocou uma turbulência nos meios políticos. O vice foi criticado pela ala governista do PMDB e nas redes sociais o fato não lhe caiu muito bem.
As críticas foram contundentes, em especial pela preocupação do vice com dois de seus maiores escudeiros, os ex-ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco. Sabe-se que os homens são seres sensíveis, apesar de fortes na aparência, e principalmente os políticos aparentam uma ciumeira extremada. Muitos peemedebistas também perderam seus cargos e não foram citados por Temer. Outros assistiram a seus indicados serem defenestrados de postos importantes na máquina pública, desmotivadamente, sem que o vice-presidente demonstrasse interesse em defendê-los junto a Dilma Rousseff.
INJUSTIÇADO
Na verdade, Temer está sendo injustiçado pelos seus próprios pares. Ninguém lutou mais pela preservação da unidade do PMDB, do que Temer. O presidente da sigla e vice-presidente da República costurou as alianças no seu estilo sóbrio e polido, evitou a debandada de deputados do PMDB para engordar o PSD/PL, partidos recriados pelo ex-prefeito paulistano Gilberto Kassab por orientação do Planalto para dobrar a espinha do seu “aliado” principal, e segurou o quanto pôde a beligerância de Eduardo Cunha na presidência da Câmara.
No Senado, Temer manteve a linha com seu inimigo político Renan Calheiros, que luta para ser o novo Ulisses Guimarães, porém Temer continua a ser o atual protagonista do PMDB.
Pois bem, os dois maiores cargos da República voltaram a conversar depois da dura e fatídica carta de Temer. Adiantou alguma coisa? A relação se tornou “extremamente profícua”, como anunciou Dilma? Claro que não! No dia seguinte, a chefe da nação chama para jantar um desafeto de Temer, o ex-governador do Ceará, Ciro Gomes. Temer não gostou e o senador do PMDB pelo Ceará, Eunício Oliveira, líder do partido, também não gostou.
SÃO PAULO E MARANHÃ0
Na ponta paulista, Temer tem conversado amiúde com José Serra e Geraldo Alckmin, eternos candidatos a presidência pelo partido dos tucanos, e esta atitude é considerada como conspiração pelos petistas.
Na outra ponta maranhense, o chamamento do governo para que o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB) assuma a liderança dos governadores no ataque ao processo aberto contra a presidente na Câmara dos Deputados, sem dúvida colocou em pé de guerra o ex-presidente José Sarney. Dino é inimigo político do clã de Sarney, são facções que não se misturam.
Assim, por onde você olha, os fatos políticos geram apoios e debandadas. Ganha-se de um lado e perde-se de outro. No entanto, ficar sem fazer nada ainda é o pior dos mundos. Na política como na vida, vento que venta lá também venta cá.
EXTRAÍDADETRIBUNADAINTERNET





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