editorial de O Globo
Desde
2010 o Brasil não caía no ranking do índice, como aconteceu no ano
passado; e a sua posição piorará muito quando forem contabilizados os
números de 2015
O crescimento econômico não pode ser um fim em si mesmo. Felizmente,
ficou para trás, com a ditadura militar, o tempo em que o regime
justificava a expansão do PIB em alta velocidade enquanto persistiam
mazelas sociais, argumentando que era preciso “fazer o bolo crescer,
para depois dividi-lo". O conceito tem lastro na teoria econômica, mas, à
época, na década de 70, a falta das liberdades democráticas permitia ao
regime deixar o bolo crescer indefinidamente.
Na redemocratização, com a estabilização conseguida pelo Plano Real,
passou a ser possível crescer e distribuir renda sem distorções,
objetivos que não são excludentes. O PIB precisa se expandir para
melhorar a qualidade de vida da população. Não se pode é contrariar
princípios básicos de equilíbrio fiscal e outros.
O último ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), das Nações
Unidas, referente a 2014, em que o Brasil caiu uma posição, de 74º lugar
para 75º, é prova cabal de que políticas criadas em nome do combate à
pobreza, da erradicação da miséria e da distribuição de renda resultam
no oposto se não forem bem formuladas, se obedecerem apenas ao
voluntarismo dos poderosos de turno. Desde 2010, o país não caia neste
ranking, de 188 nações, baseado em indicadores de Saúde, Educação e
renda. O retrocesso refletiu a virtual estagnação do Brasil em 2014,
quando o PIB cresceu irrisório 0,1% e a inflação, de 6,41%, voltou a se
aproximar do teto da meta de 6,5%.
Foi o bastante para que a renda per capita dos brasileiros caísse
ligeiramente de US$ 15.288 para US$ 15.175. O IDH do Brasil chegou a
subir um pouco, de 0,752 para 0,755, mas outros países tiveram ganhos
maiores, e o país caiu uma posição. As perspectivas são péssimas. Pois,
quando o IDH de 2015 for calculado, espera-se que o Brasil desabe no
ranking. Afinal, ele contabilizará uma recessão de 3,5% e uma inflação
de dois dígitos, acima de 10%.
A irresponsabilidade fiscal do lulopetismo — o descuido, por
preconceitos ideológicos, com regras comezinhas de administração
macroeconômica — ameaça jogar no lixo as conquistas sociais iniciadas
com o Plano Real.
O PT deu sequência, no início do primeiro mandato de Lula, à política
econômica sensata da era FH — que não é patrimônio de partidos, mas
resultado do bom senso. Porém, a partir do final daquele governo, passou
a adotar o programa econômico do velho PT. O resultado pode ser a
trágica perda de uma década em estabilidade econômica e avanços sociais.
Já em 2013, com Dilma no Planalto, como revelou o “Valor”, técnicos do
Tesouro alertaram, em documento, o secretário Arno Augustin para o risco
da política fiscal desregrada e do uso de manipulações estatísticas, e
previram o que aconteceu: perda do selo de bom pagador pelo Brasil e
dezenas de bilhões de um buraco não contabilizado. O IDH captou em 2014 o
início da debacle social. Só tende a piorar.
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