por Aécio Neves Folha de São Paulo
A juventude brasileira termina o ano assustada. Poucas vezes o país
viveu uma derrocada tão brutal como a atual, atingindo em cheio os
planos das novas gerações.
Enquanto as questões políticas mobilizam a opinião pública, os jovens
que chegam ao mercado de trabalho estão encontrando as portas fechadas.
Só nos últimos 12 meses, mais de 1 milhão de brasileiros perderam seus
empregos.
Grande parte dos novos desempregados tem até 24 anos de idade.
Com o PIB deste ano em queda livre, economistas já preveem recessão até
2017, o que significa para milhões de brasileiros o caos num futuro
próximo.
Não bastasse isso, a tragédia ambiental que se abateu sobre Mariana e se
estendeu pelo Rio Doce até o oceano deixou um rastro de destruição que
contamina o presente e o futuro. Em seu lugar surgiu uma paisagem
devastada. Quantas gerações serão necessárias para nos recuperarmos
desse desastre ambiental?
Parte inestimável da nossa flora e fauna morreu, e, com ela, o
território de trabalho e emprego que abastecia centenas de municípios.
Os expulsos de suas terras certamente seguirão a sina de engrossar o
contingente urbano saturado de infortúnios. E em especial os jovens.
Nas cidades, são também eles os principais alvos da violência. Entre os
55 mil assassinados por ano no Brasil, são os jovens as vítimas
preferenciais. São vidas e dores invisíveis escondidas pela frieza das
estatísticas.
Uma juventude anônima que se esgota antes da hora. Este é o Brasil da
ausência do Estado, onde as prioridades do governo não dialogam com a
realidade.
Este mesmo Brasil está hoje diante de uma outra tragédia que comove e revolta.
Milhares de novas gestantes vivem sob o signo do medo, em função da
epidemia do zika –o vírus causador de microcefalia nos bebês. O mosquito
transmissor é responsável pela maior epidemia de dengue de nossa
história. Já são mais de 1,5 milhão de casos notificados, 811 pessoas
morreram neste ano.
Na falta de saneamento e na negligência com a saúde pública, prolifera
não apenas o mosquito que mata, mas, igualmente, a nossa vergonha. Os
meninos e meninas que já nascem com má-formação do cérebro serão para
sempre o retrato cruel de nossa incompetência em lidar com prioridades e
emergências.
E neste cipoal de notícias ruins, temos como pano de fundo uma grave
crise de governabilidade, fruto dos erros e omissões de um modelo de
gestão que vive seus estertores. Mais cedo ou mais tarde, dentro dos
trâmites constitucionais e democráticos, esta crise será resolvida.
Até lá, há um país que não pode permanecer paralisado, esperando
indefinidamente por soluções e perspectivas. Responsabilidade não se
adia. A realidade não espera. A vida não espera.
extraídaderota2014blogspot





0 comments:
Postar um comentário