editorial de O Globo
Com o PT no Planalto, não faltaram ameaças à estabilidade institucional.
Por exemplo, quando petistas defenderam a tese golpista de uma
“constituinte exclusiva”, para tratar da reforma política, como se fosse
possível convocar uma assembleia para rever a Carta sob figurino
chavista. Constituinte, explicaram juristas, é instrumento cabível em
rupturas institucionais, enquanto, no estado democrático de direito,
apresentam-se emendas à Constituição, para serem aprovadas apenas por
quórum qualificado e em dois turnos de votação em cada Casa do
Congresso.
Tentou-se, ainda, recriar a censura sob o nome fantasia de “regulação da
mídia”, bem como, no caso da produção audiovisual, por meio de uma
agência reguladora. Chegou-se a pensar em tolher os meios de comunicação
profissionais até mesmo na atualização do Programa Nacional de Direitos
Humanos (PNDH), num rasgo de criatividade de alas mais radicais do
lulopetismo.
Dada esta vertente antidemocrática do partido, à medida que o julgamento
de Lula, em segunda instância, no caso do tríplex do Guarajá, se
encaminhava para a condenação do ex-presidente, surgiam temores de
reações violentas da militância e ameaças de tumultos com a intenção de
tentar emparedar as instituições. Chegou a haver ameaças, veladas ou nem
tanto, neste sentido.
Manobras intimidatórias vazias. Lula foi condenado e preso sem que ruas
ficassem intransitáveis pelo país afora. A ação do tal “exército do
Stédile”, termo do próprio Lula, não passou de obstruções temporárias em
algumas estradas e que seriam facilmente removidas caso se tornassem
mais sérias. As instituições continuaram a funcionar, e a ordem tem sido
garantida por todo o país. Ao se entrincheirar no Sindicato dos
Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, sexta e sábado, Lula deu
seu show para a militância, que continua a ouvi-lo como é característico
em lideranças carismáticas e de seitas.
Pôde copiar construções de oratória de Martin Luther King Jr., plagiar a
carta-testamento de Getúlio Vargas e distribuir ameaças
antidemocráticas à imprensa profissional — repetiu a promessa de
“regular a mídia” —, enquanto era venerado pela cúpula petista, por
seguidores e até pelos pré-candidatos a presidente Guilherme Boulos
(PSOL) e Manuela D’Ávila (PCdoB). Lula destilou radicalismos e
entregou-se à Polícia Federal, como teria de ser.
Encerrou-se mais uma etapa na luta que organismos do Estado, com amplo
apoio da sociedade, travam contra a corrupção. Mas o enfrentamento
continua em diversas frentes.
Na principal delas, no momento, a do Judiciário, poderá haver outro
embate importante, amanhã no Supremo, se de fato for tentado, mais uma
vez, mudar a jurisprudência saneadora do início do cumprimento da pena a
partir da condenação em segunda instância. Que pode beneficiar Lula e
incontáveis presos.
Aguardemos.
extraídaderota2014blogspot





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