editorial do Estadão
Informações sobre os financiamentos concedidos pelo Banco Nacional de
Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) a projetos no exterior, que a
administração lulopetista evitava divulgar sob a alegação de serem
estratégicas e protegidas pelo sigilo bancário, agora serão colocadas à
disposição do público pela instituição. Atendendo à requisição da Ordem
dos Advogados do Brasil (OAB) e de associações de auditores e membros do
Ministério Público de Tribunais de Contas, a diretoria do banco passará
a divulgar no seu site todas as informações sobre financiamentos
externos, operações internas e parcerias com instituições estrangeiras.
É uma mudança notável em relação às práticas correntes na era
lulopetista, quando o BNDES foi intensamente utilizado para dar apoio
financeiro a projetos empresariais selecionados de acordo com os
interesses do governo. A escolha desses projetos, anunciava a gestão
anterior, tinha como objetivo a criação de “campeões nacionais”, isto é,
empresas brasileiras que poderiam se tornar líderes regionais ou
internacionais em seu segmento de atuação. Essa política levou à forte
concentração de recursos do BNDES em um número relativamente pequeno de
empresas. Entre elas estão a JBS, grande doadora para as campanhas do
PT, e empresas ligadas ao grupo de Eike Batista.
A utilização de recursos do BNDES para projetos no exterior, de sua
parte, era justificada como importante para as exportações brasileiras
de bens e serviços, o que geraria divisas para o País. Mas essa política
foi criticada pela oposição, que a acusava de gerar empregos no
exterior com dinheiro de brasileiros, financiar ditadores e governos
afinados ideologicamente com o PT e, sobretudo, proteger e apoiar
empresas que financiavam as campanhas petistas.
Nos financiamentos a projetos no exterior, boa parte dos contratos foi
assinada com empreiteiras envolvidas nas investigações da Operação Lava
Jato. Essas empreiteiras contribuíram para campanhas eleitorais do PT e
fizeram doações para o Instituto Lula e a LILS Palestras e Eventos,
empresa por meio da qual o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva
recebia pagamentos justificados como remuneração por palestras no
exterior.
Não é de estranhar, por isso, que, na administração petista, o BNDES
evitava a divulgação de informações pormenorizadas sobre essas
operações.
Há dois meses, a nova diretoria do BNDES anunciou a revisão de todos os
contratos de financiamento no exterior para empresas de engenharia e
construção. A decisão afeta 47 projetos da carteira do banco, dos quais
25 já foram contratados. São financiamentos contratados pelas empresas
Odebrecht, OAS, Queiroz Galvão, Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez para
obras e serviços nos seguintes países: Argentina, Cuba, Venezuela,
Guatemala, Honduras, República Dominicana, Angola, Moçambique e Gana. O
ex-presidente Lula e mais dez pessoas foram denunciados pelo Ministério
Público Federal no âmbito da investigação sobre favorecimento da
Odebrecht em financiamentos para obras em Angola.
Ao requerer à diretoria do banco o acesso a dados sobre as operações
realizadas pelo banco nos últimos dez anos, com base na Lei de Acesso à
Informação, a OAB e as demais entidades que assinam o documento
argumentaram que “a natureza pública dos recursos envolvidos nas
operações bancárias do BNDES exige a aplicação do princípio da
publicidade”. Lembraram, também, que a Lei de Responsabilidade Fiscal
determina que a prestação de contas da União deve trazer informações
sobre as aplicações do BNDES com recursos provenientes dos orçamentos
fiscal e da seguridade social.
O diretor da área jurídica do BNDES, Marcelo de Siqueira Freitas, disse
que, ao atender ao pedido da OAB, o banco procura dar maior
transparência a suas operações e “virar a página dessa lógica de fazer
operações ocultas sob o manto do sigilo bancário”. Segundo Siqueira, os
dados solicitados serão tornados públicos assim que alguns problemas
operacionais forem superados.
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