De uma
simples ida ao supermercado à realização do sonho da casa própria, não é
improvável que alguma vez você já tenha parado e se perguntado:
“afinal, por que os preços são tão altos no Brasil?”. A sensação que
fica é apenas uma: estamos todos ricos, ou loucos, só não sabemos ainda.
Nossos carros, conhecidos como “as carroças mais caras do mundo”, são
caros, mas a situação é muito mais grave do que parece.
Ao tentar
dar uma resposta, não é difícil cair em tentação ao simplificar a
situação e culpar a ganância dos empresários ou os altos impostos – mas,
convenhamos, não é lá muito provável que nossos empresários sejam os
mais gananciosos do mundo, não é? Ou você acha mesmo que mexicanos,
americanos e ingleses não estão interessados em lucrar o máximo possível
com seus produtos? Nem mesmo nosso governo é algo único no mundo quando
o assunto é tributação. Apesar de ainda encararmos o título de país com
menor retorno sobre os impostos, as alíquotas em si, são semelhantes a
uma série de outros países cujos preços são mais razoáveis do que os
nossos.
Como não
poderia deixar de ser, os preços por aqui são uma consequência de
inúmeros fatores – dos mais subjetivos, como a tradicional valorização
do brasileiro ao carro zero km e a casa própria, algo que em alguns
países não faz muito sentido, seja por que o transporte público
funciona, ou por questões culturais, como desapego de marcas e
valorização da poupança, ou ainda, questões mais objetivas como a baixa
taxa de poupança e investimento que nos acompanha há décadas. Somos
ainda o país que menos comercializa com o mundo. Nem mesmo Cuba, que possui um bloqueio comercial, importa e exporta tão pouco como o Brasil em relação ao seu PIB.
Ao
desembarcar por aqui, porém, muitas empresas topam se arriscar em um
país onde as leis podem mudar a qualquer instante e a burocracia para
estar “dentro da lei” é a maior do mundo. Como consequência, boa parte
delas compensa seus riscos com margens mais elevadas de lucro, ou atua
para garantir alguma proteção do governo, uma garantia de que seu
investimento dará um bom retorno – nem que, para isso, o consumidor
acabe sacrificado.
Com nossos
votos, políticos vêm sendo eleitos e reeleitos para garantir, entre
outras coisas, que se torne quase impossível para você importar um carro
de outro país com um preço mais “em conta”. Comprar um carro usado de
outro país, por exemplo, é proibido por lei. Comprar um carro novo pode
lhe exigir além de muita paciência para encarar a burocracia, uma boa
disposição para bancar uma alíquota de imposto que pode chegar a 85% do
valor do veículo. No centro de tudo, a boa e velha defesa da “indústria
nacional”, protagonizada pelas montadoras estrangeiras que aqui se
instalam.
Graças
às regulações, encaramos situações esdrúxulas, como os carros
brasileiros vendidos na Argentina ou no México por preços menores do que
aqui. Nada disso, no entanto, parece incomodar nossos políticos,
preocupados em não se indispôr com grandes empresas ou mesmo sindicatos
de trabalhadores de alguns destes setores. Quem, por exemplo, estaria
disposto a encarar o sindicato de metalúrgicos e se arriscar a perder
alguns milhares de votos? Tudo o que nos sobra é essa eterna dúvida.
Somos ricos ou “trouxas” por encarar estes preços? Abaixo, selecionamos
alguns exemplo que podem ajudar a responder essa pergunta.
1) Este ovo de páscoa, fabricado no Brasil e vendido 5 vezes mais barato nos Estados Unidos.

Você
provavelmente já está cansado das velhas comparações entre ovos de
páscoa e barra de chocolate, não é mesmo? Pois é. Desta vez a comparação
é entre um mesmo produto, só que em dois países distintos. Qual a
diferença? O produto vendido lá fora vem direto das fábricas da Garoto
no Brasil.
No Reino
Unido ou no Japão, a discrepância se confirma. Um ovo de páscoa “Kit
Kat”, pode ser encontrado em Londres por 1 libra, ou R$ 5, por aqui, R$
53,89. No Japão, a diferença é um pouco menor. Os ovos de páscoa podem
sair por um pouco menos da metade. Tudo fabricado por aqui.


2) Estas duas casas têm o mesmo preço: uma em Osasco, no Brasil, e outra Memphis, nos Estados Unidos.

Se a
existência de uma bolha imobiliária no Brasil ainda é algo bastante
discutido, é certo que há preços por aqui que não parecem fazer lá muito
sentido.
As duas
casas acima têm preços semelhantes. A brasileira, de Osasco, sai por R$
320 mil. A americana, de Memphis, por R$ 285 mil, ou US$ 89 mil.
Na média, um trabalhador de Osasco precisa trabalhar 12 anos para pagar esta casa, contra 2,5 anos de um trabalhador de Memphis.
3) O iPhone mais caro do mundo.





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