Valdo Cruz: Folha de São Paulo
Dilma odiava delatores. Sarney, Jucá e Renan foram traídos por um, que
passou a ser celebrado pela presidente afastada, mas que pode ser
definitivamente impedida pelas revelações do delator-mor.
Quando não passava por sua cabeça ser afastada do cargo, Dilma,
atormentada pelas revelações da Lava Jato, tascou em junho de 2015: "Eu
não respeito delatores". Até ali, mantinha uma pose de que nada do
petrolão chegaria perto dela.
Pois bem, de lá para cá o país foi sacudido por novas e novas delações. É
bom dizer, não mostraram a petista enfiando dinheiro no bolso, mas
apontaram que sua campanha de 2014 foi irrigada com propina.
Dilma ganhou motivos a mais para odiar delatores, mas esfregou as mãos
de felicidade quando pintou na praça a delação de Sérgio Machado, aquele
que traiu os amigos peemedebistas Renan, Jucá e Sarney.
A petista passou a ter seu delator preferido. Machado deixou em maus
lençóis a turma de Michel Temer e a fez acreditar mais no impossível,
voltar ao Palácio do Planalto.
A alegria da petista, porém, durou pouco tempo. Nos últimos dias,
começou a vazar o conteúdo das revelações do delator-mor, Marcelo
Odebrecht. Tudo indica que a campanha dilmista de 2014 vai ficar de vez
encrencada com propina.
Será o argumento final para que até senadores que andavam meio reticentes decidam pelo impeachment final da presidente afastada.
O detalhe é que não deve ser apenas Dilma a cair. A nova safra de
delação promete acabar com outras "boas" reputações. Se o mundo da
política treme, o país agradece.
Enfim, como diria Dilma Rousseff, que por um instante até gostou de um,
delator incomoda e atrapalha muita gente, mas detona principalmente quem
tem rabo preso.
Quem não tem, com certeza, não chega a perder uma hora de sono. Só que
insônia passou a ser um mal bastante comum nos gabinetes de Brasília. O
inimigo mora ao lado.
extraídaderota2014blogspot





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