Ana Clara Costa - Epoca
A Procuradoria-Geral da República (PGR) usará o termo de delação premiada de Diogo Ferreira, ex-chefe de gabinete do senador Delcídio do Amaral, para encorpar a denúncia que prepara contra o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, segundo fontes ligadas ao caso. As informações sobre os pagamentos feitos por Maurício Bumlai, filho do pecuarista José Carlos Bumlai, um grande amigo de Lula, para financiar a família do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró,
constam do documento firmado por Ferreira e homologado pelo ministro do
Supremo Tribunal Federal (STF), Teori Zavascki, na última quinta-feira.
O teor dessa delação foi revelado por ÉPOCA. A denúncia será apresentada pela PGR ao Supremo até o começo de maio.
Na delação, Ferreira conta, detalhadamente, como foram os encontros com Maurício Bumlai para receber dinheiro vivo e repassá-lo à família de Cerveró, por meio do advogado Edson Ribeiro,
que intermediava o contato. Uma das justificativas do cuidado
“especial” de Delcídio com a família Cerveró se justifica, em parte,
segundo Ferreira, pela preocupação do ex-presidente Lula sobre as informações que poderiam surgir de uma delação do ex-diretor. Segundo a delação de Delcídio, homologada em março,
Lula seria o principal articulador da estratégia de "comprar o
silêncio" de Cerveró. Em depoimento à Procuradoria-Geral da República
(PGR), no início de abril, o ex-presidente se defendeu das acusações e
negou que tenha participado de qualquer ação para impedir que Cerveró
fechasse delação premiada.
Segundo Ferreira, o filho do pecuarista repassou a ele R$ 150 mil com
destino à família Cerveró. Foram três entregas de R$ 50 mil. O assessor
de Delcídio apresentou, como provas de corroboração, mensagens trocadas
com operadores de Bumlai e o próprio filho dele, combinando os encontros
para buscar o dinheiro. Há até mensagens de áudio via aplicativos como
What'sApp e Telegram. Ferreira entregou também coordenadas do seu
celular, comprovantes de hospedagem em São Paulo e vouchers dos vôos que
tomou. Ele narra minuciosamente as coletas de dinheiro. A última
entrega registrou cenas de filme policial. Ferreira conta que entrou em
um carro, no banco do carona, e no assoalho havia uma sacola com uma
caixa de um vinho; que o motorista disse que aquela era a encomenda de
Maurício Bumlai. Em outra ocasião, Ferreira foi orientado por um
ex-assessor de Delcídio, o Coronel Angelo Rabello, a encontrar uma
terceira pessoa chamada Alexandre, no Aeroporto de Congonhas. Alexandre
levou Ferreira até seu carro, no estacionamento do aeroporto, e lhe
entregou uma sacola das lojas Renner, onde havia uma caixa de sapatos
fechada. “Havia um buraco na caixa de sapatos, permitindo ao depoente
ver, como efetivamente viu, que havia dinheiro em espécie em seu
interior”, disse o delator.
Ainda de acordo com Ferreira, Delcídio havia citado como plano B para os pagamentos aos honorários de Ribeiro, o banqueiro André Esteves,
que havia se prontificado a ajudar. No documento, o delator diz que
Esteves estava especialmente preocupado com a delação de Cerveró devido a
negócios com bandeiras de postos de combustíveis e operações na África.
O BTG adquiriu, em 2013, metade da operação de exploração da Petrobras
na África, criando a chamada PetroÁfrica. O
negócio foi fechado por US$ 1,5 bilhão, enquanto o mercado precificava a
mesma fatia acionária por US$ 4 bilhões. Conforme ÉPOCA revelou, a
delação do lobista Hamylton Padilha,
que participou das negociações, deverá esclarecer a diferença de
valores. André Esteves foi preso em novembro do ano passado, juntamente
com Delcídio do Amaral, depois que uma gravação feita pelo filho de
Cerveró, Bernardo, o incriminou. No áudio enviado aos procuradores,
Delcídio diz a Bernardo que Esteves ajudaria a financiar a fuga de seu
pai do Brasil. Esteves foi solto pouco antes do Natal.
extraídaderota2014blogspot





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