Jornalista Andrade Junior

sexta-feira, 18 de março de 2016

E agora, Brasil?

Por Robson Merola de Campos

O domingo, 13 de março de 2016, foi um sucesso retumbante. Estimativas informam mais de seis milhões de brasileiros e brasileiras nas ruas. As bandeiras levantadas foram principalmente de apoio ao juiz Sérgio Moro e a Operação Lava Jato, repúdio à Lula, Dilma e o PT e ainda censura a políticos da oposição que tentaram se aproveitar da presença maciça de brasileiros nas ruas.O recado das ruas foi claro: muita coisa precisa mudar no Brasil. Dilma está emparedada. Lula em completo descrédito: em diversos locais bonecos ou pessoas caracterizadas como o ex-presidente exibiam uniforme listrado de presidiário. Mas não é só isso: o brasileiro foi às ruas principalmente para dizer que está farto de viver em um país que não lhe respeita, não lhe dá condições de trabalhar e sobreviver com dignidade. Ignorar as ruas pode ser mais do que um grande engano; pode ser muito perigoso. Principalmente para a classe política que está em xeque.
E agora, Brasil? O que acontecerá depois de 13 de março de 2016? É possível que o Congresso Nacional acelere o processo de impeachment da presidente Dilma. Nesse caso, assume Michel Temer. A simples saída de Dilma do Palácio do Planalto pode dar um choque de credibilidade ao país e poderemos voltar momentaneamente a respirar. Mas, isso não basta: é preciso ter planejamento para fazer as mudanças que o Brasil precisa, e humildade por parte dos dirigentes para entender que políticos podem muito, mas, não podem tudo. É óbvio que, quando Dilma vier a cair, a militância petista e alguns movimentos radicais irão para as ruas. Pontualmente haverá confrontos com maior ou menor gravidade. A própria Dilma já se posicionou a favor do radicalismo de esquerda ao não se pronunciar, por exemplo, contra os atos de vandalismo na TV Anhanguera de Goiânia, e poucas horas depois repudiar a pichação da sede da UNE em São Paulo. A mesma ação recebeu dois tratamentos completamente diferentes tendo em vista exclusivamente quem eram as “vítimas”. Dilma não é presidente do PT e da militância radical apenas; como ela mesma gosta de falar, foi eleita pelo povo brasileiro. Por que então governa apenas para seus correligionários diretos?
Quanto à militância petista/esquerdista/radical é de se perguntar: eles não enxergam o que a cúpula do PT fez com o Brasil? É claro que sim, sabem perfeitamente! Estaria então toda a militância petista/esquerdista/radical mancomunada com as lideranças criminosas que espoliaram o Brasil? Estariam na folha de pagamento da propina milionária? Ocupariam altos cargos e estariam antevendo que teriam de deixar as “tetas” do governo? Não creio. A questão é que a militância petista/esquerdista/radical sabe que só chegou ao poder devido à atuação e persistência de Luiz Inácio Lula da Silva. A queda dele e do PT significam a ruína de um sonho de um paraíso esquerdista no Brasil. E isso lhes é intolerável. É possível que Lula ao chegar ao Planalto pela primeira vez ainda estivesse imbuído dos mesmos sonhos da militância. Porém, ao longo do caminho, ele se perdeu e se contaminou pelo germe do poder. Deu no que deu: quebrou o Brasil e enriqueceu pessoalmente de forma assombrosa. Alguns antigos companheiros de Lula já acordaram e deixaram as fileiras do PT. Os discursos mais eloqüentes contra o Partido dos Trabalhadores vêm justamente de quem convivia diariamente com Lula e viu a sua transformação. O que a militância ainda não entendeu é que o único responsável pela ruína do seu sonho ideológico é justamente a pessoa que eles hoje colocam no altar acima e a margem da lei: Luiz Inácio Lula da Silva. Admitir um erro dessa magnitude não é fácil nem agradável.
Porém, e agora, Brasil? Voltamos a pergunta do início do terceiro parágrafo: o que acontecerá com o país? Recolocar o Brasil nos trilhos do desenvolvimento não será tarefa fácil nem rápida. Principalmente com o Congresso fisiológico que nós temos. Faltam-nos também lideranças capazes de tomar medidas impopulares: gastou-se muito mais do que se podia, e agora é hora de cortar na carne. Sacrifícios terão que ser feitos. Qual liderança existe hoje no Brasil capaz de tomar medidas impopulares, mas absolutamente necessárias para que consigamos daqui a alguns anos estarmos melhor do que hoje? A união nacional será fundamental nos dias que estão por vir. Precisaremos agir com responsabilidade; todos nós, sem exceção. O exemplo de união pacífica das ruas do último domingo deverá ser duradouro para que os frutos sejam colhidos. O Brasil não precisa do engodo de salvadores da pátria. Precisamos de planejamento de longo prazo, responsabilidade, liderança firme e principalmente de bons exemplos.
Precisamos olhar para a nossa bandeira e refletir que aquelas duas palavras que lá estão escritas são mais do que um lema, mas, um ideal a ser perseguido e finalmente alcançado por todos nós:
Ordem e Progresso!
É disso que o Brasil precisa; e é por isso que vale a pena lutar








EXTRAÍDADEAVERDADESUFOCADA

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