por Carlos Alberto Di Franco O Globo
Estamos em ano eleitoral. Ataques aos adversários, promessas
irrealizáveis e imagens produzidas farão parte, mais uma vez, do
discurso dos candidatos. Assistiremos, diariamente, a um show de efeitos
especiais capazes de seduzir o grande público, mas, no fundo, vazio de
conteúdo e carente de seriedade.
O marketing, ferramenta importante para a transmissão da verdade, pode,
infelizmente, ser transformado em instrumento de mistificação. Estamos
assistindo à morte da política e ao advento da era da inconsistência.
Os programas eleitorais vendem uma bela embalagem, mas, de fato, são
paupérrimos na discussão das ideias. Nós, jornalistas, somos (ou
deveríamos ser) o contraponto a essa tendência. Cabe-nos a missão de
rasgar a embalagem e desnudar os candidatos.
Só nós, estou certo, podemos minorar os efeitos perniciosos de um
espetáculo audiovisual que, certamente, não contribui para o
fortalecimento de uma democracia verdadeira e amadurecida.
Por isso, uma cobertura de qualidade será, antes de mais nada, uma
questão de foco. É preciso declarar guerra ao jornalismo declaratório e
assumir, efetivamente, a agenda do cidadão. Não basta um painel dos
candidatos, mas é preciso cobrir a fundo as questões que influenciam o
dia a dia das pessoas.
É importante fixar a atenção não nos marqueteiros e em suas estratégias
de imagem, mas na consistência dos programas de governo. É necessário
resgatar o inventário das promessas e cobrar coerência. O drama das
cidades (segurança, educação, saúde, saneamento básico, iluminação,
qualidade da pavimentação das ruas, transporte público de qualidade,
responsabilidade fiscal, entre outros) não pode ficar refém de slogans
populistas e de receitas irrealizáveis. Os candidatos deverão mostrar
capacidade de gestão, experiência, ousadia e criatividade.
A independência é a regra de ouro da nossa atividade. Para cumprir a
nossa missão de levar informação de qualidade à sociedade, precisamos
fiscalizar o poder. A imprensa não tem jamais o papel de apoiar o poder.
A relação entre mídia e governos, embora pautada por um clima
respeitoso e civilizado, deve ser marcada por estrita independência.
Está surgindo, de forma acelerada, uma nova “democracia”, totalitária e
ditatorial, que pretende espoliar milhões de cidadãos do direito
fundamental de opinar, elemento essencial da democracia. Se a ditadura
ideológica constrange a cidadania, não pode, por óbvio, acuar
jornalistas e redações.
O primeiro mandamento do jornalismo de qualidade é, como já disse, a
independência. Não podemos sucumbir às pressões dos lobbies direitistas,
esquerdistas, homossexuais ou raciais. O Brasil eliminou a censura. E
só há um desvio pior que o controle governamental da informação: a
autocensura. Para o jornalismo, em ano eleitoral e em qualquer tempo,
não pode haver vetos, tabus e proibições. Informar é um dever ético.
Deixemos de lado a pirotecnia do marketing. Nosso papel, único e
intransferível, é ir mais fundo. A pergunta inteligente faz a diferença.
E é o que o leitor espera de nós.
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