Carlos Newton
Quando se esperava a ascensão de um governo que passasse o país a limpo e reanimasse as novas gerações, o que se vê é justamente o contrário. Está havendo uma surpreendente reação contra o pedido de prisão de quatro caciques do PMDB. O domínio do fato e o conjunto da obra não deixam margem a dúvidas – a esmagadora maioria dos integrantes da chamada classe política não apoia a Operação Lava Jato. Pelo contrário, o grande objetivo seria passar uma borracha e apagar esse impressionante trabalho que une a Polícia Federal, a Procuradoria da República e a Magistratura, através da extraordinária atuação dos juízes Sérgio Moro (Lava Jato), Valisney de Souza Oliveira (Zelostes) e Ricardo Soares Leite (Acrônimo). Mas isso é uma ilusão, porque o processo de moralização da política é irreversível.
UMA ETERNA DUALIDADE
Como acontece em toda democracia, no Brasil deveria estar ocorrendo uma alternância de poder entre oposição e situação, mas não é isso que se constata. A política nacional está hoje dividida entre os que apoiam a Lava Jato e os que tudo fazem para neutralizá-la. Esta situação está cada vez mais clara, não há mais como contestá-la.
Não existe nada de novo, a vida é mesmo assim, uma eterna dualidade. Mas é desalentador saber que a imensa maioria dos parlamentares está contra o aprimoramento da atividade política, meta a ser alcançada a partir dos efeitos da operação Lava Jato.
O GOVERNO PROTEGE CUNHA
O maior exemplo é que seis meses já se passaram e o Conselho de Ética da Câmara ainda não conseguiu aprovar o parecer que pede a cassação do deputado Eduardo Cunha, que estava se tornando o segundo nome da linha sucessória da Presidência da República, circunstância que até obrigou o Supremo a reinterpretar a lei para conseguir afastá-lo.
A situação é patética e o presidente do Conselho de Ética, deputado José Carlos Araújo (PR-BA), que é da base aliada, teve de vir a público nesta quarta-feira para denunciar que o governo de Michel Temer está pressionando para inocentar Cunha.
DE QUE LADO TEMER ESTÁ?
Já que Michel Temer é professor de Direito Constitucional, com importantes obras publicadas, poder-se-ia dar a ele o chamado “benefício da dúvida”. Mas será que merece? Afinal, de que lado ele está? Será que realmente apoia a moralização da política?
Os fatos concretos indicam que não, pois sua solidariedade a políticos envolvidos na Lava Jato causa crescente estranheza. Esperava-se que se tornasse um novo Itamar Franco, mas Temer insiste em se comportar como uma versão reprisada do incompetente e corrupto José Sarney.
Diante dessa situação deprimente, o ex-deputado e ex-governador Francelino Pereira deveria repetir a pergunta: “Que país é esse?”. Qualquer um então poderia lhe responder que continua a ser o país de impunidade.
TEMER TAMBÉM PASSARÁ
Como tudo na vida, é claro, Temer também passará. E se não mudar de atitude com a máxima urgência, acabará sendo lembrado de forma altamente negativa, como seus três antecessores – FHC, Lula e Dilma.
Mas e os jovens integrantes da Polícia Federal, da Procuradoria da República e da Magistratura Federal? Com toda certeza, estes brasileiros serão eternamente homenageados, por terem dado ao país uma extraordinária lição de vida, ao demonstrar que a atual podridão dos três Poderes da República um dia poderá ser revertida, para que as novas gerações usufruam de um país melhor. Caso contrário, mergulharemos no caos.
extraídadetribunadainternet





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