Eduardo Barretto e Danilo Fariello - O Globo
O presidente interino Michel Temer
disse nesta quarta-feira que não se importa com críticas e protestos
feitos à sua gestão, e que, sem mencionar a presidente afastada Dilma
Rousseff, não vive em um "sistema autoritário", em que o Poder Executivo
não conversa com o Legislativo.
— Até não gosto de falar desse tema, mas sinto que muitas vezes há tais e
tantas agressões, inverdades, mas isso não me incomoda. Enquanto
protestam, nós passamos — declarou.
Sem mencionar Dilma, Temer criticou o sistema "autoritário" em que o
Poder Executivo não tem interlocução com o Legislativo. A relação
atribulada com o Congresso foi determinante para o afastamento da
petista.
— Nós não vivemos num sistema autoritário. Em um sistema autoritário, o
Executivo quer, faz e desfaz — atacou, e confundiu-se ao dizer que a DRU
havia sido aprovada em segundo turno ontem, o que ainda não aconteceu:
— Depois de oito ou nove meses que lá (no Congresso) se achava a
Desvinculação de Receitas da União, que é coisa mais importante para o
governo, em uma ou duas semanas nós aprovamos a desvinculação, ainda
ontem no segundo turno — comemorou antes da hora.
Temer voltou a criticar as condições em que recebeu o Brasil, e
considerou no seu discurso que terá mais de dois anos de governo — isto
é, não acredita que o Senado barre o impeachment e que Dilma Rousseff
volte ao Planalto.
— Não estamos encontrando o país com déficit zero, com harmonia social,
com harmonia entre Executivo, Legislativo e Judiciário. Ao contrário,
com déficit extraordinário, empresas públicas quebradas.
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