MIRANDA SÁ
´Os males da democracia, só se curam com mais democracia´.
(Georges Burdeau)
Depois
de situar o Estado, como fiz no último artigo, é fundamental falar de
Democracia, a aspiração dos povos para conquistar a Liberdade.
Teoricamente (mais do que uma Utopia), a Democracia é o governo onde a
cidadania (mais do que as massas) exerce sua soberania.
Diretamente
ou através de eleições livres elegendo representantes, o povo (não
confundir com a massa) participa da condução dos destinos do seu país,
num País em que os poderes dirigentes do Estado, Executivo, Judiciário e
Legislativo, são separados garantindo assim o Estado de Direito.
A
conquista do funcionamento autônomo e convergente destes órgãos, seja
em qualquer regime, monárquico ou republicano, produz a verdadeira
Democracia, que foi construída através dos tempos.
Historicamente,
os frutos que a Democracia colhe vêm de longe, fundamentando-se em
experiências, como a do povo judeu que teve o Sinédrio (Sanhedrim, em
grego Synedrion), uma assembleia de anciãos reunindo-se ora como Grande
Sinédrio e o Sinédrio Menor, dependendo da interpretação e o julgamento
da Lei de Moisés.
Funcionava
mais ou menos como a Câmara e o Senado que temos, acumulando porém, as
funções legislativa e judiciária. Foi o Sinédrio que interpretou a Torá
(Lei), que julgou e condenou Jesus, segundo o Novo Testamento.
Também
os gregos antigos nos deixaram a herança da Ágora – lugar de reunião
onde as pessoas discutiam problemas de toda natureza. Era um espaço
público de debates para os cidadãos gregos que tudo decidiam pelo voto
direto.
Embora
restrita aos cidadãos livres foi sem dúvida um lugar com característica
democrática e até inspirou uma corrente anarquista defensora do
“Agorismo”, exaltação de um governo sem Estado…
Em
Roma – que nos legou quase todas as instituições que temos –
constituiu-se o Senado do Povo Romano (Senatvs Popvlvsqve Romanvs) de
uma importância ímpar durante a República e que se manteve no Império,
embora sem o mesmo poder.
O
Senado em Roma, marcou com tanta força a participação política da
cidadania que o seu acrônimo SPQR (SENATVSPOPVLVSQVEROMANVS), estava
inscrito nos estandartes das legiões romanas e foi aproveitado pelo
cristianismo, ao assumir o poder. Poucas pessoas sabem que este
distintivo é exibido nas procissões que representam os passos e a morte
de Jesus Cristo…
É
interessante que em Roma, como entre os judeus e os gregos,
legisladores e julgadores se confundiam, surgindo nas assembleias alguns
que se especializavam em elaborar leis e outros para julgar. De certa
maneira parecidas com o que vemos hoje na Comissão do Impeachment que
está funcionando no Senado.
O
processo do impeachment de uma presidente que cometeu crime de
responsabilidade fiscal é apreciado por parlamentares do ponto de vista
político incorporando a condição de magistrados; e, dessa maneira, vem
sendo conduzido.
Então
cabe a pergunta: Há Democracia com o Congresso que aí está? Da minha
parte respondo que sim, ainda que os senadores lulo-petistas contestem,
aproveitando-se para desmoralizar a instituição. Também perguntamos se
existe Democracia num País que faz eleições em urnas fraudáveis e
candidatos que investem dinheiro sujo em suas campanhas?
Não,
apesar de que é esta a Democracia que vivemos. Assistimos senadores
petistas atacando o Judiciário e o Legislativo dizendo que o impeachment
é golpe, apoiando a presidente afastada que enterrou a economia com
fraudes, incompetência e ideologismo superado. Isso, para não falar da
leniência com a ação dos gângsteres do seu partido.
Burdeau,
o nosso epigrafado, nos dá uma lição magistral ao dizer que os males da
Democracia, só se curam com mais Democracia. É por isso que denunciamos
os golpes que o lulo-petismo confabula contra a Constituição, com
pressões sobre o STF e fazendo uma campanha sórdida por novas eleições,
possível tábua de salvação…
EXTRAÍDADETRIBUNADAIMPRENSA





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