por Percival Puggina.
Obrigo-me, então, a uma longa explicação sobre o que leva os partidos a escavarem sem cessar o fundo do poço do descrédito. Levo em conta, ao dialogar com esses jovens, que o choque de realidade gerado por algumas palavras fortes é mais positivo do que o impacto que ela, a realidade, nua e crua, possa gerar sobre almas desavisadas. Já vi isso acontecer muitas vezes para desconsiderar seu significado nos indivíduos e na própria política. Esta é um espaço onde o mal conta com facilidades para sobrepujar o bem e onde, com muita frequência, as opções se fazem entre um mal maior e um mal menor. O bem não leva uma vida fácil na política. E, mesmo assim, há que escolher; e mesmo assim ela é uma atividade essencial à vida dos povos.
Vem-me à mente, enquanto escrevo, algumas palavras do meu amado papa João Paulo II na longa exortação que dirigiu aos leigos em 1988. Transcrevo-as:
"(...)
todos e cada um têm o direito e o dever de participar na política,
embora em diversidade e complementaridade de formas, níveis, funções e
responsabilidades. As acusações de arrivismo, idolatria de
poder, egoísmo e corrupção que muitas vezes são dirigidas aos homens do
governo, do parlamento, da classe dominante ou partido político, bem
como a opinião muito difusa de que a política é um lugar de necessário
perigo moral, não justificam minimamente o ceticismo nem o absenteísmo
dos cristãos pela coisa pública. Pelo contrário, é muito
significativa a palavra do Concílio Vaticano II: «A Igreja louva e
aprecia o trabalho de quantos se dedicam ao bem da nação e tomam sobre
si o peso de tal cargo, ao serviço dos homens»".
Parece-me
muito adequado esse facho de luz para esclarecer uma realidade como a
brasileira nestes dias tormentosos em que a esperança voa errante sem
lugar de pouso. É preciso compreender que a política continuará
determinando destinos, mas o Estado será tão mais útil quanto mais
empenhado em se tornar crescentemente desnecessário; que sempre haverá
escolhas a fazer e que, por vezes, nada será melhor do que o mal menor;
que a maior riqueza de uma nação repousa em seus jovens e que lhes
proporcionar condições para uma vida produtiva pelo conhecimento e pelo
trabalho é muito mais significativo a eles e à nação do que manipulá-los
ideologicamente.O saber, a cultura, o trabalho, a busca do mérito, a liberdade, o amor ao Bem (ainda que vago, mas verdadeiramente amado) não podem estar ausentes da Política e do Direito. E cabe a nós dar-lhes vida e vigência. Não teremos qualquer esperança se não formos, nós mesmos, a esperança.
extraídadepuggina.org





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